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São Gonçalo do Amarante - CE - Sábado 21 de Maio de 2022 - Ano: XIV - Edição: 4.962

Bolsonaro e o “charme do traído” | FERNANDO BRITO

21 de Abril de 2022

Não passa desta quinta-feira o início do discurso vitimista de Jair Bolsonaro sobre o voto do ministro André Mendonça condenando o deputado Daniel Silveira pelas ameaças que fez de surrar ministros e de fechar o Supremo Tribunal Federal.

De novo, como vem desde a demissão de Gustavo Bebianno, do seu confronto com os deputados do PSL, com Mandetta e com o “caso Moro”, Bolsonaro trabalha a fidelidade de seus adeptos pondo-se na posição de “traído” por aqueles “por quem sempre fez tudo”.

Não precisava se associar ao brucutu que estava sendo julgado na sessão desta quarta-feira no STF, pois Silveira é uma figura periférica e “folclórica” , distante de seu núcleo político.

Mas fez questão de mandar o filho como “leão de chácara” para acompanhá-lo na tentativa – frustrada, aliás – à missa de corpo presente que seria seu julgamento.

Claro que tem a intenção de fazer dele um mártir e, para isso, terá de fazer de André Mendonça um Judas.

Este é o dilema de Bolsonaro: precisa crescer para fora de seu grupo, mas só o que sabe fazer é açular os seus, dizendo que está sendo apunhalado.

Apresentar-se como um solitário faz parte da imagem que quer propagar, exceto em relação às Forças Armadas, a quem verga a se apresentarem como garantidoras do seu poder.

Ruy Castro, na Folha, é impiedosamente verdadeiro com esta estranha conjunção de “fiéis”:

Sob Bolsonaro, qualquer desclassificado no governo pode pregar o armamento da população contra a “criminalidade de Estado”. Isso significa a incitação a que civis peguem em armas para, ao comando de Bolsonaro ou dos zeros, desafiar os governadores, os tribunais e, se preciso, o próprio Exército.

O que esses generais acharão da ideia de dividir a força armada da nação com uma turba acima da lei, com ideias particulares de ordem e poder? Irão à sua caça, para prendê-los e torturá-los, como seus heróis fizeram contra os inimigos no passado? Ou se sujeitarão a bater continência para gente como Daniel Silveira?

Pois quem notar que tipo de mártires Bolsonaro quer construir saberá que tipo de heróis se terá de cultuar.

Tijolaço

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