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| Foto: Divulgação |
Enquanto Caucaia atrai bilhões em investimentos, São Gonçalo do Amarante assiste, praticamente de fora, ao desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém
A história precisa ser lembrada.
A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, instalada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, nasceu com forte presença territorial em São Gonçalo do Amarante. Com a não concretização da refinaria que seria instalada em Caucaia, a área da ZPE acabou sendo ampliada para o município vizinho.
O problema é que, ao longo dos anos, o desenvolvimento da estrutura do Pecém avançou de maneira muito mais significativa do lado de Caucaia.
Enquanto aquele município recebeu investimentos em pavimentação, energia elétrica, esgotamento sanitário, fibra óptica e infraestrutura para grandes empreendimentos, áreas pertencentes a São Gonçalo continuam enfrentando problemas de infraestrutura e, em alguns casos, sequer foram devidamente desapropriadas.
O resultado é preocupante.
Há mais de seis anos, São Gonçalo do Amarante não vê a instalação de uma nova grande indústria no lado do Complexo do Pecém pertencente ao município.
E, enquanto São Gonçalo espera, Caucaia continua avançando.
MAIS UM INVESTIMENTO BILIONÁRIO
Na última terça-feira (25), o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou a instalação de um novo data center da Voltalia Energia do Brasil na ZPE do Pecém.
O investimento anunciado é de R$ 181,7 bilhões, com expectativa de geração de aproximadamente 2,7 mil empregos: cerca de 2,3 mil durante a fase de implantação e 400 postos na operação.
E há um detalhe que não pode passar despercebido:
O empreendimento será instalado no lado da ZPE localizado em Caucaia.
Dos cinco projetos aprovados pelo CZPE, os investimentos estão distribuídos entre o Complexo do Pecém, no Ceará, Bacabeira, no Maranhão, e Parnaíba, no Piauí.
No caso do Pecém, mais uma vez, o município de Caucaia aparece como destino de um dos maiores investimentos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os cinco projetos aprovados deverão contribuir, juntos, para um retorno estimado de R$ 40 bilhões anuais às exportações brasileiras a partir de 2029.
Com a nova aprovação, a ZPE do Pecém passa a contar com 14 empreendimentos autorizados para instalação, dos quais 11 estão relacionados a projetos de data centers.
E SÃO GONÇALO?
Essa é a pergunta que precisa ser feita.
Por que São Gonçalo do Amarante, que abriga parte estratégica do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, não está conseguindo atrair investimentos na mesma proporção?
Onde está o planejamento?
Onde está a articulação política?
Onde está a cobrança junto ao Governo do Estado e aos órgãos responsáveis pelo desenvolvimento da ZPE?
Onde está a estratégia municipal para preparar áreas, garantir infraestrutura e disputar os grandes investimentos que estão chegando ao Ceará?
Não estamos falando de um empreendimento qualquer.
Estamos falando de bilhões de reais, milhares de empregos, novas empresas, arrecadação e transformação econômica.
São Gonçalo está localizado ao lado de um dos maiores polos industriais e portuários do Nordeste e possui uma oportunidade que poucos municípios brasileiros têm.
Mas oportunidade sem planejamento, infraestrutura e articulação política pode simplesmente passar ao lado.
E é exatamente isso que parece estar acontecendo.
Enquanto Caucaia prepara sua estrutura para receber novos empreendimentos, São Gonçalo corre o risco de ficar apenas assistindo ao desenvolvimento acontecer do outro lado da divisa.
Não basta comemorar o que já existe.
É preciso lutar pelo que ainda pode vir.
São Gonçalo precisa de uma estratégia própria para o Pecém, com regularização das áreas, infraestrutura, planejamento urbano e industrial, segurança jurídica e, principalmente, liderança política capaz de defender os interesses do município.
O Pecém está crescendo.
Os investimentos estão chegando.
Os bilhões estão sendo anunciados.
A questão é: quanto desse desenvolvimento São Gonçalo do Amarante vai conseguir trazer para dentro do seu território?
Porque, se nada mudar, podemos continuar com a mesma paisagem:
o desenvolvimento acontecendo no Pecém — e São Gonçalo olhando de longe.
CHEGA DE SILÊNCIO.
É HORA DE COBRAR.
É HORA DE PLANEJAR.
É HORA DE DEFENDER SÃO GONÇALO.
Por: Robério Soares
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