PAULO MOREIRA LEITE | Em Paraisópolis, a tragédia de uma polícia que age sem justificativa moral



"Uma semana depois do massacre de Paraisópolis, o ponto preocupante é que nenhuma circunstância de cada uma das mortes foi esclarecida", diz o colunista Paulo Moreira Leite, sobre o massacre que vitimou nove jovens da periferia de São Paulo

7 de dezembro de 2019

Paulo Moreira Leite é colunista do 247, ocupou postos executivos na VEJA e na Época, foi correspondente na França e nos EUA

No dia em que se realiza, na igreja de São José, em Paraisópolis, uma missa de sétimo dia em memória dos nove jovens assassinados no fim de semana passado, convém cabe denunciar a violência cada vez maior dos aparatos policiais que deveriam proteger a população, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

No artigo "A ordem pública numa era de violência", o historiador Eric Hobsbawm (1919-2012) oferece uma reflexão de grande utilidade para debater a brutalidade policial e o emprego de um arsenal cada vez mais pesado contra o cidadão comum de várias partes do planeta -- inclusive os 9 mortos de Paraisópolis no último fim de semana.

Para o professor, que tem como foco de sua pesquisa o universo dos países desenvolvidos, o centro da questão tem uma origem fácil de identificar.

Encontra-se na dificuldade do Estado em convencer -- por meios pacíficos -- a maioria dos cidadãos a aceitar e cumprir a lei voluntariamente, o que só acontece quando população está convencida de que ela "tem uma justificação moral". 

Falando de outra época histórica, o professor recorta que os exércitos de recrutas que decidiram as duas Guerras Mundiais do século XX foram formados por "soldados cidadãos para matar ou morrer aos milhões 'por seu país', como se diz. Isso já não acontece".

Hobsbawm escreve:  "Se sentimos que uma lei é legítima, ela é logo acatada. Nós acreditamos que os jogos de futebol realmente necessitam de árbitros e bandeirinhas e confiamos a eles o exercício de uma função legítima. Se não o fizéssemos, quanta força seria necessária para manter o jogo em ordem?" 

O problema começa quando "a lei carece de legitimidade e o respeito a ela depende sobretudo do medo de ser apanhado e punido". Neste caso, quando tenta-se impor uma determinada regra sem consentimento da população, "é muito mais difícil mantê-la vigente, além de ser  mais caro", acrescenta,  numa observação que nos permite compreender o espaço cada vez maior que os gastos com segurança interna ocupam no orçamento publico da maioria dos governos, dando origem a uma burocracia de Estado autônoma, com prerrogativas e privilégios crescentes.

Residente na Inglaterra num período no qual a polícia saía as ruas sem necessidade de portar sequer um revólver, tamanho era o respeito que despertava na totalidade dos cidadãos, Hobsbawm registra que a grande mudança ocorreu no final dos anos 60. Ele não faz referências nominais, mas cita acontecimentos e decisões de Estado que foram a marca do governo de Margaret Thatcher, uma contrarevolução ultraconservadora que durou onze anos, de 1979-1990.

Hobsbawm diz que o emprego da polícia nas greves de mineiros na década de 1980, nos distúrbios raciais e na luta contra o terrorismo do IRA, teve o efeito "de elevar as confrontações a um nível quase militar", num enfrentamento que levou à "militarização da polícia".

Mesmo considerando a imensa distancia entre as águas do Tamisa e do Tietê, alguns paralelos  são evidentes,  como o percurso ocorrido no Brasil com a  transformação da antiga Força Pública em Polícia Militar. A corporação foi enquadrada pelo Exército. Soldados e oficiais passaram a atuar como braço auxiliar organismos de repressão política da ditadura de 64, inclusive participando tortura prisioneiros. 

Num balanço do que se passou na Inglaterra, Hobsbawm escreve que "a orientação 'atirar para matar' provocou diversas vítimas inocentes e, diga-se, evitáveis -- a mais recente das quais foi o brasileiro Jean Charles de Menezes". 

O texto foi escrito em 2007, quando o processo de desmonte dos Estados de bem-estar social se encontrava no início no mundo inteiro, numa fase distante do sombrio patamar atual  -- e os questionamentos a legitimidade das decisões do Estado não eram tão evidentes.

Mesmo assim, já era possível observar "um outro elemento do enfraquecimento do Estado: a lealdade que os cidadãos lhe devotam, assim como sua disponibilidade para fazer o que o Estado lhes pede, estão erodindo".

Uma semana depois do massacre de Paraisópolis, o ponto preocupante é que nenhuma circunstância de cada uma das mortes foi esclarecida.

As imagens em vídeo mostram uma operação que, mesmo sem emprego de armas de fuzil, tinha toda as características terríveis da escola "atirar para matar."

Parte do roteiro já é conhecido. Ao mesmo tempo em que empurrava -- na pancada -- os garotos para as vielas do bairro, a PM fechava as saídas que poderiam servir de rota de fuga.

O resultado só poderia ser um massacre, iniciado por cassetadas, chutes e socos, como os vídeos exibem com clareza. Falta esclarecer o principal, contudo:  como os oito meninos e a única menina foram assassinados, quando, por obra de quem, a mando de quem.

O que se tem, até agora, são clássicos dos manuais de despiste. A menos que surjam testemunhas categóricas, capazes de oferecer fatos conclusivos, a tese de que 9 adolescentes mataram-se uns aos outros, por pisoteamento, não passa de uma tentativa de culpar as próprias vítimas pela tragédia. É assim que age uma polícia sem justificativa moral para seus atos e operações.

Alguma dúvida?


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Maurício Macri se despede da Casa Rosada após fracasso do neoliberalismo na Argentina, falta o Brasil se livrar


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7 dezembro, 2019 

Três dias antes de Alberto Fernández assumir a Presidência argentina, o atual ocupante da Casa Rosada, Mauricio Macri, despede-se de seus apoiadores neste sábado (7), em um ato na Praça de Maio.

Em clima de terapia, Macri passou a última semana relembrando momentos de sua gestão em postagens na internet e em um pronunciamento em cadeia nacional na TV.

Publicou nas redes sociais pequenos vídeos, chamados de “momentos”, nos quais reviveu passagens de sua gestão, e, num comunicado à nação, na quinta-feira (5), se disse frustrado com o desempenho econômico do país.

Justificou, porém, as principais causas de seu fracasso com fatores alheios às suas medidas: a forte seca que em 2017 e 2018 comprometeu a colheita de soja e os efeitos impostos pelo clima de guerra econômica no panorama internacional.


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Bolsominions estão destruindo provas, quebrando computadores para esconder a produção de Fake News


Luis Macedo/Câmara Dos Deputados

Revelações da deputada durante CPI na Câmara, com extensa apresentação de documentos, mostram como funciona rede de difamação

07/12/2019

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que presta depoimento na CPI das Fake News da Câmara nesta quarta-feira (4), apresentou uma série de documentos que atestam diversas ilegalidades cometidas por bolsonaristas relacionadas à disseminação de notícias falsas e destruição de reputações em redes sociais. Antes aliada importante do núcleo de apoio de Jair Bolsonaro (sem partido), ela agora é enfrentada como inimiga por “milícias digitais” ligadas ao clã do presidente.

Existe um padrão nas operações de distribuição de mentiras nas redes sociais, revelou a parlamentar. O esquema envolve um grande número de assessores de parlamentares de extrema-direita. Estes, recebem altos salários e têm como função a construção de narrativas mentirosas para beneficiar a ideologia em torno de Bolsonaro. Difamações e até ameaças de morte foram apresentadas por Joice, todas com origem especificada.

Joice argumentou que todos os documentos que revelam essa grande rede passaram por perícia e já são objeto de investigação. “Gente já jogou computador fora, até quebrou o disco do computador com furadeira”, disse, em alusão à suspeita de que o vereador carioca e filho do presidente Carlos Bolsonaro teria destruído computador.

TV Câmara

Rede envolve cerca de oito milhões de pessoas em grupos de WhattsApp, Facebook e outras redes sociais. Apesar do grande número de pessoas envolvidas, os robôs se fazem necessários para a disseminação em massa até o destino final

O mecanismo

Uma das principais origens das mentiras, especialmente nos últimos meses, é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “As instruções passam muito por Eduardo e assessores ligados a ele. Eles ativam a militância e, depois, publicadores que têm muitos perfis falsos para dificultar a responsabilização das fake news. Para que não haja imputação de crime ou acionamento da Justiça, muitos perfis são falsos”, explicou.

Depois disso, vem o uso dos famigerados robôs. “Depois disso, as fake news são disseminadas em larga escala por robôs. Isso é informação técnica, a polícia já está envolvida. Tem gente que já jogou computador fora. Quem destruiu provas de ataques não levou em consideração que os dados estão protegidos na nuvem”, disse Joice.

Gabinete do ódio

Toda essa rede envolve cerca de 8 milhões de pessoas em grupos de WhattsApp, Facebook e outras redes sociais. Apesar do grande número de pessoas envolvidas, os robôs se fazem necessários para a disseminação em massa até o destino final. Dentro destes 8 milhões, existe uma escala hierárquica bem definida. Muitos dos que tomam as decisões são pagos com dinheiro público. Especialmente assessores, que formam o já conhecido “gabinete do ódio”.

“Eles têm uma tabela para que cada dia, um assessor produza um conteúdo para destruir uma reputação. Cada um um dia para fazer os ataques coordenados (…) Eles fazem listas de orientações para difamar. Entre políticos, jornalistas, enfim. Em um grupo central do WhattsApp eles coordenam e passam para os outros grupos multiplicadores”, disse Joice.

Farra com dinheiro público

Um dos grupos mais ativos e violentos é coordenado pelo gabinete do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP). O parlamentar possui sob seu domínio uma série de militantes que coordenam as ações das fake news. Todos eles muito bem remunerados com dinheiro público.

Douglas Garcia faz parte de um grupo chamado Movimento Conservador, idealizado por Eduardo Bolsonaro, que tem como objetivo a disseminação do ódio e a manutenção das ideologias de extrema-direita. Todos eles também do grupo radical ultraconservador chamado Direita São Paulo.

“Edson Salomão ganha 24 mil pra fazer meme e atacar pessoas do gabinete do Douglas Garcia. Mais de um milhão de reais em dinheiro público por ano em assessores de gabinetes. Jorge Saldanha, 18 mil reais de salário. Todos eles do Direita São Paulo. Alexandre da Silva, 9 mil reais.  André Petros, quase 10 mil reais também. Todos eles Direita São Paulo e Movimento Conservador. Carlos Olímpio, Dylan Dantas, esses 7 mil reais de dinheiro público para atacar. Jhonatan Valencio, Lilian Goulart, Lucas Reis, quase 12 mil reais. O gabinete inteiro do Douglas Garcia. Maicon Tropiano, Matheus Galdino.” Estes são alguns nomes dos militantes centrais de tal teia de mentiras.

Laranjal

Em seus documentos, a partir das datas das postagens e atribuições, com muitos prints de telas de WhatsApp do núcleo bolsonarista, Joice revelou que o método consiste em iniciar uma mentira ou difamação de forma mais leve e, então, aprofundar, radicalizar as mentiras e ataques, a partir de sites e blogs de fachada criados pelos próprios assessores.

Um dos articuladores, Eduardo Guimarães (Dudu Guimarães), que é secretário parlamentar de Eduardo Bolsonaro, inicia uma narrativa, por exemplo. “O grupo Bolsofeios é do Dudu, esse é um dos grupos de organização do gabinete do ódio.
Então, começam a aprofundar a narrativa. Uma das fake news contra mim começou em um site Click Cozinha, dizendo que eu teria usado verba pública para difamar filhos do Bolsonaro. Eles usam esses sites laranjas.”

De mentiras a ameaças

Joice disse que se incomodou severamente com o esquema quando uma montagem sua em um corpo de porca e roupas de prostituta chegou no celular de seu filho de 11 anos. Ela chegou a rastrear a origem da montagem e chegou no esquema de Douglas Garcia. Mesmo grave a difamação, o cenário ainda pode piorar.

As influências das fake news criadas pelos grupos bolsonaristas ultrapassam os ataques pessoais, chegam na esfera da influência direta em articulações políticas e acabam atingindo a pura ameaça à vida. Em um vídeo do pessoal ligado ao Direita São Paulo e ao Movimento Conservador, assessores parlamentares armados com submetralhadoras e outras armas de grosso calibre ameaçam de morte o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

Em outro caso, sugerem articulações para proteger a família Bolsonaro de investigações criminais. “Tem um grupo chamado Ódio do Bem. Em mensagens desse grupo que estão já na perícia, afirmam que ‘é importante que travem a Lava Jato. Deltan deve cair. Augusto Aras deve assumir a PGR. Mendonça assumira o STF. Tem como blindar o Flávio’, afirma a administração desse grupo.”


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Globo faz lobby pela volta do dinheiro privado, base de toda corrupção, à política


Neofascistas que apoiam Bolsonaro atacam a Globo e pedem o linchamento de seus profissionais

Depois de instrumentalizar o "combate à corrupção" para demonizar governos progressistas e conseguir implantar uma agenda neoliberal no Brasil, a Globo agora defende que empresas voltem a financiar a política – o que reabriria a torneira para novos escândalos decorrentes do financiamento empresarial de campanhas

7 de dezembro de 2019

Mesmo depois de vários escândalos de corrupção no Brasil decorrentes do financiamento empresarial de campanhas, que foi criminalizado no Brasil pela mídia corporativa para que fosse possível derrubar governos progressistas e implantar uma agenda neoliberal, a Globo agora defende que empresas privadas voltem a ser liberadas a doar recursos para candidaturas políticas. 

Em editorial publicado neste sábado, a Globo comnate o único legado positivo da Lava Jato, que é o financiamento público de campanhas. "Grupos políticos que se esforçavam para aprovar o financiamento público integral e a adoção do sistema eleitoral por lista fechada, para aumentar o poder dos caciques partidários — o PT sempre esteve à frente deste bloco —, conseguiram uma grande vitória, mesmo parcial. Não veio o voto em lista, mas foram usados com esperteza os escândalos do petrolão e outros, em que grandes empresas privadas se envolveram em esquemas políticos para assaltar estatais (Petrobras, Furnas, Eletrobras etc.), com a finalidade de levar o Supremo a ver no financiamento público a chave da moralidade", diz o texto. 

"Cabe ao presidente Bolsonaro vetar o inchaço do Fundo Eleitoral. A questão, porém, é mais ampla, tem a ver com o sistema de financiamento instituído depois que o STF alijou as empresas das finanças da política. A realidade mostra que este mundo continua envolto em sombras, com o Tesouro pagando uma conta crescente. Trocou-se o custo da corrupção arcado pelo contribuinte pelo preço da avidez do Congresso em inflar o orçamento da política, também pago pelo Erário. É preciso repensar as contribuições de empresas em novos moldes, assentados num sistema de freios e contrapesos que, além de reduzir o fardo sobre os contribuintes, garanta a lisura entre partidos, políticos e seus financiadores", diz ainda o texto.

Na prática, a Globo defende que empresas privadas sejam autorizadas novamente a sequestrar a agenda pública do País, por meio do financiamento privado de campanhas.


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Caminhoneiros insatisfeitos com governo Bolsonaro, anunciam greve nacional dia 16 de dezembro


(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
7 dezembro DE 2019

Líder dos caminhoneiros autônomos, Marconi França afirmou, nesta sexta-feira (6/12) que, à 0h da próxima segunda-feira (16), pelo menos 70% dos cerca de 4,5 milhões de profissionais autônomos e celetistas vão parar em todo o país. O motivo é a insatisfação da categoria com o governo de Jair Bolsonaro, que, segundo França, não cumpriu o que prometeu aos trabalhadores.

“O governo não cumpriu nada do que prometeu. O preço do óleo diesel teve 11 altas consecutivas, em 2019. Não aguentamos mais ser enganados pelo senhor Jair Messias Bolsonaro, que protege o agronegócio e diz que o caminhoneiro só sabe destruir rodovias”, reclamou França ao Blog.

À tarde, o líder dos caminhoneiros foi à sede da Central Única dos Trabalhadores no Rio de Janeiro (CUT-RJ) pedir apoio para o movimento, que, se de fato iniciado, não tem data para acabar. (assista abaixo vídeo gravado por ele).

O caminhoneiro pede também o apoio da população. “De todos que usam gasolina, óleo diesel e também gás de cozinha. Jair Bolsonaro esquece que quem transporta os produtos das indústrias e do agronegócio somos nós”, reforçou. 



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MARCOS COIMBRA | Acaba o ano e Bolsonaro está tão Bolsonaro como sempre


(Foto: Antonio Cruz - ABR)

Avaliação é do sociólogo e diretor do instituto Vox Populi, Marcos Coimbra. "A mesma grosseria, a mesma mesquinhez, a mesma incapacidade de qualquer gesto de grandeza, a mesma falta de inteligência e educação", diz. Para ele, "o que sustenta Bolsonaro é apenas o tempo"

6 de dezembro de 2019

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Entramos no 12º mês do governo (?) do capitão Bolsonaro. Daqui a alguns dias, seu primeiro ano estará concluído. Sem foguete, sem retrato e sem bilhete.

Não houve surpresas na política em 2019. O que se podia esperar de ruim aconteceu. Nada de bom fez com que tivéssemos que reconsiderar as expectativas sombrias do início do ano. 

Talvez haja nisso exagero. No lado da ruindade houve, sim, imprevistos. Quem, por exemplo, conseguiria imaginar que o péssimo ministério do início pudesse piorar? Mas foi o que aconteceu. Todos os ministros que saíram cederam lugar a gente ainda mais desqualificada.

No fim de seu primeiro ano, Bolsonaro está tão Bolsonaro como sempre. A mesma grosseria, a mesma mesquinhez, a mesma incapacidade de qualquer gesto de grandeza, a mesma falta de inteligência e educação. Sua equipe é constituída por gente tosca e despreparada. Há quem suponha que eles se entretêm com um jogo perverso: descobrir até onde podem descer, até que ponto podem chegar na afronta aos sentimentos e valores da maioria. 

De acordo com as pesquisas, o capitão lidera o ranking dos piores presidentes que o Brasil conheceu. Sozinha, a proporção dos que o avaliam assim equivale à soma do segundo e terceiro colocados, Collor e Dilma. A situação de um cidadão, em início de mandato, que tem uma rejeição igual à soma de dois presidentes que foram depostos não pode ser boa.

O tamanho do núcleo que o apoia na sociedade diminuiu. Bolsonaro não foi apenas incapaz de atrair novos simpatizantes, mas de preservar o patrimônio que uma vitória eleitoral costuma assegurar. Perante a opinião pública, chefiar o governo não somente não o fortaleceu, mas o enfraqueceu.  

Resta-lhe a avaliação efetivamente positiva de algo perto de 15% da população. É essa a parcela que gosta dele e aprova suas políticas para a saúde, a educação, a valorização do salário mínimo, a geração de empregos e o meio ambiente. É a mesma proporção dos que consideram que o governo cuida e projeta uma boa imagem internacional do País.

No fundo, haver cerca de uma pessoa em cada dez que aplaude o governo é extraordinário. Que cabeça é essa, de quem aceita os despropósitos que estão sendo cometidos na educação, no meio ambiente e na cultura, por exemplo? O que pensa quem não se envergonha com os fiascos e as declarações estapafúrdias do capitão? 

Ao terminar o ano, o que sustenta Bolsonaro é apenas o tempo. A maioria da população, indiferente à politica e mal informada, acha que é cedo para decretar que ele não presta. Se o tempo de governo não fosse ainda pequeno, as cobranças seriam maiores e menor a paciência. A incompetência não seria desculpada como fruto da inexperiência ou da “novidade”. 

O problema é que esse tipo de capital decai a cada dia e é impossível renová-lo.  O tempo passa e nunca dão certo as tentativas de ganhar mais algum. 

Logo depois da eleição de 2018, o Datafolha fez uma pesquisa e constatou que a maioria das pessoas, mesmo as que não haviam votado em Bolsonaro, esperavam melhoras em dois aspectos: na economia, com a retomada do desenvolvimento, e na segurança, com a redução da criminalidade. Até agora, nada disso aconteceu.

Melhora na economia não é algo que precisa ser explicado. Ou é uma constatação que decorre da experiência concreta das famílias, de seus bons empregos, dinheiro no bolso, casa própria e comida na geladeira, ou é conversa fiada. Com a politica econômica do governo, a chance de que uma melhora verdadeira aconteça nos três próximos anos é perto de zero. Os crédulos, entre os quais a grande imprensa brasileira, que esperem o improvável futuro em que o modelo  dará certo, enquanto vão engolindo os sapos que o capitão despeja.

Coisa semelhante vale na segurança pública. Bolsonaro e sua turma engrossam a voz e fazem arminha, mas não têm a menor capacidade ou vontade de enfrentar a criminalidade. Só o que podem exibir são fotos de pistolas na cintura e a imagem desbotada de um ex-juiz que alguns acham respeitável.

Tudo considerado, que Bolsonaro e seus amigos comemorem 2019, pois os que vêm pela frente lhes serão mais desfavoráveis. A menos, é claro, que o Exército resolva dar um golpe e entronize o capitão. É ridículo, mas não impossível.


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A demagogia do candidato da Globo, Luciano Huck é favorável à prisão em 2ª instância, mas recorreu ao STF após ser condenado



Por Kiko Nogueira - 6 de dezembro de 2019
Luciano Huck, candidato à presidência em 2022, fez demagogia vagabunda nas redes.

“P/ constar; sou a favor da execução das decisões criminais após o 2º grau. Pq alinha o Brasil c/ o padrão mundial da justiça penal”, escreveu.

“Pq a impunidade e os incentivos errados fizeram disparar a corrupção e violência no país. E por entender q esta é uma vontade legítima da sociedade.”

O “padrão mundial” de Huck é o mesmo de Bolsonaro. 

Ele construiu uma mansão na Ilha das Palmeiras, em Angra do Reis, que lhe deu vários problemas na Justiça.

Fora beneficiado por um decreto do então governador Sérgio Cabral, um de seus famosos ex-amigos, que mudou a legislação ambiental.

Tratava-se da “lei Luciano Huck”.

Em 2017, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro ordenou-lhe que retirasse boias que cercavam a propriedade e pagasse uma indenização de R$ 40 mil por danos morais coletivos causados pela degradação do meio ambiente.

Huck, segundo o MP, usou “um pretexto para legitimar a apropriação de bem de uso comum do povo”.

Quatro anos antes, quando foi condenado, o sujeito alegou que a cerca se destinava à maricultura, o que é uma cascata.

Entrou com uma série de recursos de defesa tentando reverter a condenação em segunda instância.

O apresentador foi até o STJ para rediscutir sua punição.

Uma paisagista que trabalhou na Paraty House dos Marinhos falou ao DCM sobre como funciona a picaretagem da maricultura.

Na verdade, os bacanas cultivam uma fazenda marinha de mentira para impedir acesso de banhistas e barcos indesejáveis. As lanternas (estruturas onde os moluscos ficam armazenados) servem de obstáculo.

Para Luciano Huck, justiceiro bolsomorista de ocasião, “vontade legítima da sociedade” é boa desde que em outras praias.


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ALEX SOLNIK | Bolsonaro recuou de punição à Folha por medo de impeachment



Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

6 de dezembro de 2019

"Não foi por amor à liberdade de imprensa que Jair Bolsonaro cancelou a licitação em que a Folha de S. Paulo fora excluída e sim para escapar do impeachment", analisa o jornalista Alex Solnik. " Se tivesse insistido em manter a exclusão do jornal incorreria em improbidade administrativa", explica o jornalista

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia - Não foi por amor à liberdade de imprensa que Jair Bolsonaro cancelou a licitação em que a Folha de S. Paulo fora excluída e sim para escapar do impeachment.

Se tivesse insistido em manter a exclusão do jornal incorreria em improbidade administrativa, pois impediria o acesso ao certame de uma empresa que poderia apresentar proposta melhor que as demais, causando prejuízo ao erário.

Quem o alertou, ainda que indiretamente, foi seu ex-faz tudo e atual desafeto, Gustavo Bebiano, que explicitou esse risco numa entrevista.

Brasil 247

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MP retoma investigação sobre caso Queiroz, com foco em Flávio Bolsonaro


(Foto: Reuters | Reprodução)

Após decisão do STF que permitiu o compartilhamento de dados fiscais e bancários com o MP, o órgão retomou a investigação sobre a 'rachadinha', um ano depois de o caso vir à tona, com a identificação de movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor da família Bolsonaro. O foco será o senador Flávio Bolsonaro

6 de dezembro de 2019 

O Ministério Público do Rio de Janeiro retomou as investigações sobre o esquema da 'rachadinha', envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor financeiro da família Bolsonaro, e com foco no senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do presidente, Jair Bolsonaro. 

A retomada da apuração se deu após decisão do Supremo Tribunal Federal que permitiu o compartilhamento de dados fiscais e bancários de órgãos correspondentes ao MP sem autorização da Justiça. O caso completou um ano nesta semana, quando foram reveladas movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas de Queiroz. 

Flávio se tornou suspeito após Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar que Queiroz recebia depósitos regulares de colegas de gabinete em datas próximas ao pagamento de salários, indício do que caracterizaria a 'rachadinha' - devolução de parte ou totalidade da renda de funcionários do gabinete ao deputado.

O MP também apontou suposta ação de organização criminosa no gabinete de Flávio na Alerj e supostos sinais de que o hoje senador lavou o dinheiro na compra e venda de imóveis. O parlamentar acusou a promotoria de tentar atingir o governo do seu pai. O Coaf, porém, também apontou suspeitas de outros assessores, deputados e ex-deputados, no documento gerado na Operação Furna da Onça, sobre corrupção na Alerj, lembra reportagem do Estado de S.Paulo.



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Após fiasco de William Bonner, Globo escala Ana Maria Braga para comentar economia no Jornal Nacional


5 dezembro, 2019


A Rede Globo “aposentou” Miriam Leitão e o apresentador William Bonner, do Jornal Nacional, e escalou a apresentadora Ana Maria Braga para comentar assuntos relacionados à economia.

A emissora dos Marinhos chamou a Ana Maria Braga após o fiasco de Bonner que, no início da semana, exaltou a retomada do crescimento do País com base na indústria do papelão.

Ato contínuo, a TV Globo intensificou a euforia no estilo ‘Brasil ou ame ou deixe-o’ com o pibinho do presidente Jair Bolsonaro de 0,6% no trimestre.

A título de comparação, no primeiro ano de Dilma Rousseff, em 2011, o PIB da petista foi de 2,7%.

Na época, a apresentadora Ana Maria Braga deixou os bifes de carne do lado para colocar no pescoço um colar de tomate para exprimir a suposta crise. Ou seja, ela reclamava do preço do legume, hoje falta carne na mesa dos brasileiros, que adotaram o ovo na dieta.

Para auxiliá-la na discussão do “boom” na era Bolsonaro, a produção da Globo também buscou o economista Daniel Souza, que falou sobre exportações, sobretaxa do aço pelo presidente dos EUA Donald Trump, preço do dólar, carne, etc.

Que fase, hein Globo?!


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RICARDO KOTSCHO | Tal governo, tal Congresso: eles só governam para eles



Para o jornalista Ricardo Kotscho, "nunca antes um governo brasileiro esteve tão à altura, ou melhor, à baixeza de um Congresso e vice-versa como agora". "Dinheiro para eles não é problema. Para garantir a mamata nas campanhas, o Congresso vai cortar do Orçamento recursos da educação, saúde e infraestrutura, que vão perder R$ 1,7 bilhão", denuncia

5 de dezembro de 2019

Ricardo Kotscho é jornalista e integra o Jornalistas pela Democracia. Recebeu quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo e é autor de vários livros.

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia  - Nunca antes um governo brasileiro esteve tão à altura, ou melhor, à baixeza de um Congresso e vice-versa como agora.

Nasceram um para o outro, eleitos na mesma “onda conservadora” que levou o capitão ao poder e o país para o buraco.

“Conservadora” é modo de dizer, porque não se trata de opção política ou ideológica, mas de um assalto orquestrado aos cofres públicos na divisão do butim.

Eles se entendem: só governam para eles, os amigos deles, e o país que se dane.

No mesmo dia, quarta-feira, deram mais dois golpes de mestre no Tesouro Nacional.

Para o Executivo, aprovaram a toque de caixa a reforma previdenciária mamão com açúcar dos militares, que vão ter aumento de salários e poderão se aposentar com salário integral, sem idade mínima. Em vez de cortar gastos, vão aumentar. 

As guildas das grandes corporações do serviço público se protegem mutuamente, pois o Judiciário também já tinha garantido seus privilégios.

Ao mesmo tempo em que o Senado entregava todas as demandas dos militares, a Comissão do Congresso responsável pelo orçamento aprovava o relatório preliminar que aumenta para R$ 3,8 bilhões o fundo eleitoral para 2020.

Dinheiro para eles não é problema. Para garantir a mamata nas campanhas, o Congresso vai cortar do Orçamento recursos da educação, saúde e infraestrutura, que vão perder R$ 1,7 bilhão. 

Chega a ser falta de humanidade. Vão cortar, por exemplo, R$ 70 milhões do programa Farmácia Popular, que oferece remédios gratuitos para a população de baixa renda, como informa a Folha.

Ao apresentar o relatório, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) mentiu:

“Fizemos isso sem cortar de canto nenhum”.

A cara de pau dessa gente só se compara aos que prometeram uma “Previdência igual para todos”, que, ao final, vai tirar de quem ganha menos para garantir as mordomias do andar de cima.

Assinaram essa barbaridade representantes de 13 partidos, da esquerda à direita, que contam com 430 deputados e 62 senadores, garantindo a aprovação do bilionário Fundo Eleitoral.

Claro que o governo Bolsonaro não vai vetar esse assalto aos já minguados recursos da área social.

O capitão já lavou as mãos: “Geralmente, essas questões políticas é o Parlamento que decide”.

Não se trata de uma questão política, mas de escolha de prioridades.

É uma questão social, como mostram as revoltas populares nos países vizinhos, que tanto assustam os militares do governo.

Mas, para essa gente, em caso de alguma manifestação de protesto por aqui, a resposta nós já sabemos como será: tiro, porrada e bomba.

Enquanto eles se protegem nos palácios, a população sem emprego formal, sem assistência médica, com a educação e as estradas em frangalhos sobrevive como a dos países em guerra.

No Brasil, os vândalos estão no governo e no Congresso, não nas ruas.

Isso não tem como acabar bem.

Vida que segue.


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Globo Golpista escondeu absolvição de Lula e Dilma depois de ter escandalizado acusação sobre "quadrilhão do PT" no Jornal Nacional


 (Foto: Ricardo Stuckert)

"O modus operandi do jornalismo da Globo: em 5 set 2017, o Jornal Nacional dedicou 4min 33seg numa reportagem sobre o suposto 'Quadrilhão do PT'. Agora, com Lula e Dilma absolvidos, uma simples nota seca de 51 segundos", apontou o jornalista Aquiles Lins, editor do 247, ao comentar a diferença de critérios da Globo
5 de dezembro de 2019

O jornalista Aquiles Lins, editor do 247, levantou o tempo dedicado pela Globo para tratar da acusação contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff sobre o "quadrilhão do PT" e também da absolvição. As descobertas comprovam, mais uma vez, como a Globo faz política – e não jornalismo – contra seus adversários políticos. Confira os tweets e reportagem da Sputinik sobre o caso:


Tem mais: no outro dia (6 set 2017), o @BomDiaBrasil dedicou 8 minutos e 48 segundos para detalhar o que seria este "Quadrilhão do PT", com todas as ferramentas de enquadramento disponíveis contra @LulaOficial e @dilmabr (https://bit.ly/2OQ52zN ). Quanto tempo sairá amanhã?

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Sputinik – A Justiça do DF absolveu nesta quarta-feira (4) os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além de Antônio Palocci e Guido Mantega e João Vaccari Neto, no processo apelidado de "quadrilhão do PT".

O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal em Brasília, afirmou que a denúncia apresentada contra os membros do PT "traduz uma tentativa de criminalizar a atividade política".

A ação penal que envolvia os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, os ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, apontava uma suspeita de crime de organização criminosa.

De acordo com a decisão do juiz, "a descrição dos fatos vista na denúncia não contém os elementos constitutivos do delito previsto no art. 2º, da Lei nº 12.850/2013 [organização criminosa]".

"A narrativa que encerra não permite concluir, sequer em tese, pela existência de uma associação de quatro ou mais pessoas estruturalmente ordenada, com divisão de tarefas, alguma forma de hierarquia e estabilidade", afirmou o juiz.
"A denúncia apresentada, em verdade, traduz tentativa de criminalizar a atividade política. Adota determinada suposição – a da instalação de 'organização criminosa' que perdurou até o final do mandato da ex-presidente Dilma Vana Rousseff – apresentando-a como sendo a 'verdade dos fatos', sequer se dando ao trabalho de apontar os elementos essenciais à caracterização do crime de organização criminosa", completou.


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