Terça

São Gonçalo do Amarante - Ceará - Brasil - Sábado 25 de Outubro de 2014 - Ano: VII - Edição: 2.199 - Visitas: 6.003.248 - Postagens: 23.939 - Comentários: 9.200

LAURO JARDIM ANTECIPA O IBOPE: DILMA 54%; AÉCIO 46%


25/10/2014 - A nova pesquisa Ibope com as intenções de voto para a Presidência da República, que será divulgada hoje (25) à noite, a última antes da eleição,  mostrará que nada mudou entre quinta-feira e hoje.

Mais uma vez Dilma Rousseff aparecerá na frente, com uma vantagem acima da margem de erro da pesquisa.


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COMO A VEJA CONSEGUE COMETER IMPUNEMENTE TANTAS BARBARIDADES ‘JORNALÍSTICAS’?


Uma discussão estritamente jornalística sobre o caso Veja


25/10/25014 - Vou falar estritamente sobre a técnica jornalística utilizada pela Veja na última edição.

Percebi que é necessário, uma vez que mesmo jornalistas experientes como Ricardo Noblat não compreendem exatamente onde está o problema.

Citei Noblat porque, em sua conta no Twitter, além de em determinada altura do debate de ontem ele informar seus seguidores de que a bateria do celular acabara, ele fez a seguinte indagação.

“Que prova Dilma quer da reportagem da Veja?  Uma gravação? Diria que é falsa. Uma entrevista do doleiro preso?”

Uma das missões do jornalismo é jogar luzes sobre sombras. Noblat jogou ainda mais sombras sobre as sombras já existentes.

Prova é prova. Prova são evidências consideradas irrefutáveis pela Justiça depois de um processo em que as partes defendem sua posição.

Prova não é a palavra de ninguém – gravada, escrita ou dita em público. Porque o ser humano pode dizer qualquer coisa que imagine que vá beneficiá-lo ou prejudicar um opositor.

Imagine que alguém queira destruir moralmente você. Ele afirma que você é pedófilo, por exemplo. Grava um vídeo e coloca no YouTube.

O fato de ele haver falado que você é pedófilo não prova nada, evidentemente. Você o processa. A Justiça vai pedir provas. Se o difamador não as tiver, estará diante de uma encrenca considerável.

O raciocínio acima não vale, infelizmente, para o jornalismo, dada a influência que as empresas de mídia exercem sobre a Justiça no Brasil.

Mas vale em sociedades mais avançadas. O caso clássico, neste capítulo, é o de Paulo Francis.

Acusou diretores da Petrobras de terem contas no exterior. Como as acusações foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, os acusados puderam processá-lo nos Estados Unidos.

A Justiça americana pediu provas a Francis. Ele nada tinha. Na iminência de uma indenização à altura das calúnias, Francis se atormentou e morreu do coração.

Na Justiça brasileira, ele certamente se sairia facilmente de um processo. E ainda seria glorificado como mártir da liberdade da expressão.

Ainda que, para voltar à frase de Noblat, uma fita fosse apresentada, isto não valeria rigorosamente nada. De novo: nada.

Imagine, apenas a título de exercício mental, que alguém tivesse prometido ao doleiro preso vantagens no caso de uma vitória de Aécio: dinheiro, pena branda, cobertura discreta em jornais, revistas, telejornais.

Imagine, além disso, que o doleiro de fato acreditasse que uma simples declaração sua daria a presidência a Aécio.

Ele falaria o que quisessem que ele falasse, naturalmente.

No Brasil, situações como a que descrevi podem acontecer.

Nos Estados Unidos, e volto a Paulo Francis, não. Sem provas, não apenas o acusador estaria frito. Também jornais e revistas que reproduzissem suas acusações enfrentariam problemas colossais.

A sociedade tem que ser protegida.

Em meus dias de Abril, meus amigos se lembram, sempre disse que seria simplesmente inimaginável um jornal publicar – sem provas – uma entrevista em que um irmão do presidente fizesse acusações destruidoras.

Esse irmão poderia estar mentindo, por ódio ou motivações pecuniárias. Inventando coisas. Aumentando outras.

Onde muitas pessoas viram um triunfo da Veja, enxerguei desde o princípio uma demonstração da miséria do jornalismo nacional. E da Justiça, porque se ela agisse como deveria ninguém destruiria a reputação de ninguém sem provas.

Tantos anos depois deste caso a que me refiro, nem o jornalismo brasileiro e nem a Justiça evoluíram.

As trapaças estão até nos detalhes. O jornalismo digno manda que você tome cuidados básicos ao publicar acusações. O acusador disse isso ou aquilo. Afirmou. Para manipular leitores, a Veja utiliza outro verbo: revelou. É, jornalisticamente, uma canalhice e um crime.

A Veja sabe que pode publicar o que bem entender porque a Justiça não vai cobrar provas. Como opera em solo brasileiro, e não americano, ainda poderá se declarar mártir da liberdade da expressão, caso seja mesmo processada por Dilma.

Era o que aconteceria com Paulo Francis se não tivesse sido julgado pelas leis americanas.

Nos Estados Unidos, de onde emigrou há 60 anos a então modesta família Civita para fazer fama e fortuna no Brasil, a Veja estaria morta há muito tempo com o tipo de jornalismo que faz.


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SEDE DA EDITORA ESGOTO RESPONSÁVEL PELA REVISTA VEJA FOI ATACADA


Fotos que circulam nas redes sociais mostram a portaria do prédio em São Paulo com pichações e pedaços da publicação, que traz denúncia sem provas (como a própria revista admitiu) contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, distrituída às vésperas do segundo turno

25 DE OUTUBRO DE 2014  

A sede da Editora Abril, responsável pela publicação da revista Veja, foi atacada na noite desta sexta-feira (24/10).

Fotos que circulam nas redes sociais mostram a portaria do prédio com pichações e pedaços da publicação, que traz matéria contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

A matéria é baseada em denúncias sem provas sobre relatos do doleiro Alberto Youssef, preso pela PF, de que o “Planalto” sabia do esquema de corrupção na Petrobras.


Brasil 247
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ÚLTIMO PROGRAMA DE DILMA NA TV: ESPETACULAR. ASSISTA



24 de outubro de 2014 | Autor: Fernando Brito

 “Dou minha alma ao Brasil”.

Esta foi a última frase de Dilma Rousseff nos programas de campanha eleitoral na televisão.

Emoção pura, como convém a um fecho de campanha vitoriosa.

Povo, povo, povo.

Nada de ódio, nada de raiva.

Apoio de artistas, personalidades, sim.

Mas não como muletas, como no programa de Aécio.

Nem com Lula foi assim, foi primeiro a razão e depois a emoção dos comícios.

Mas festa, alto astral.

Clima de vitória.

Assista e diga se não foi assim.

Sensacional.



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Dilma nem precisou bater. Aécio foi nocauteado pelo seu próprio sorrisinho de 171


Agora que o último debate acabou posso dizer uma coisa que já tinha reparado nos outros debates. Só não disse antes para não "dar consultoria" aos tucanos.

Por mais que Aécio Neves (PSDB) tenha feito treinamento de mídia, a postura facial dele não convence. Nem nos momentos em que ele consegue responder bem. Fica com cara daqueles 171 querendo te enganar, vocês repararam?

Você confiaria no diagnóstico de um médico, se atendesse com aquele sorriso esquisitão do Aécio?

Você compraria um carro usado, se o vendedor viesse com aquele sorriso malandro do Aécio? De Dilma, as pessoas comprariam. Ela parece ser o que é, transparece mais sinceridade, mais autenticidade, mais honestidade.

Aécio coloca um sorriso padrão no canto da boca em respostas sérias que não pega bem.

Ele critica coisas sérias com aquele sorriso que passa ar de deboche. Parece que ele está zombando dos problemas e não propondo soluções.

Mas o pior é que Aécio sempre parece estar mentindo, quando responde qualquer coisa com o mesmo sorriso plastificado.

Só isso já deu vitória à Dilma, que evitou elevar o tom do debate, pois envolveria maior risco para ela que está na frente. No tom imposto por Dilma, ela venceu fácil, mesmo sem precisar ter um grande desempenho.

Aécio já começou mal na primeira pergunta, sobre a denúncia da Veja. Dilma disse: "a revista fez uma calúnia e difamação e o senhor ainda endossa na pergunta. Essa revista tem o hábito de tentar dar um golpe eleitoral na reta final das campanhas. Não é a primeira vez. Teve em 2002, 2006 e 2010. O povo não é bobo, candidato. O povo sabe que revista está manipulando, porque não apresenta nenhuma prova (...) Acredito que a partir de segunda-feira vão desaparecer com essa acusação. Agora eu não vou deixar que ela desapareça. Eu vou investigar os corruptos e os corruptores e os motivos pelos quais isso chegou a este ponto". Dilma, no mínimo, neutralizou o ataque.

Em seguida Dilma passou a dominar o debate. Perguntou sobre o sucesso na geração de empregos e perguntou sobre o Armínio Fraga ter dito que o salário mínimo estava muito alto. Aécio errou feio, ao não corrigir a declaração de Armínio. Disse que ele não estava ali para explicar e começou a falar economês, em vez de falar de emprego e salário.

Aécio perdeu votos dos paulistas

... ao querer colocar a culpa da falta d'água em São Paulo em Dilma. O eleitor não gosta deste jogo de empurra. Todo mundo em São Paulo sabe paga tarifa d'água para Sabesp e que é estadual. Ficaria menos feio para Aécio, e perderia menos votos, se fizesse como Alckmin e colocasse a culpa em São Pedro.


Perdeu votos udenistas

Ao querer debater corrupção, e principalmente mensalão, Aécio deu um tiro no pé. Dilma falou da impunidade tucana e principalmente do mensalão tucano. Para eleitores racionais, Dilma venceu. Para o eleitor reacionário e udenista, nivelou por baixo os dois. Aécio perdeu alguns destes eleitores.

Perdeu votos das mulheres

Teve hora que Aécio se empolgou, soltou a franga e ficou agressivo, acima do tom. Perdeu votos principalmente das mulheres.

Perdeu votos dos mineiros

... ao querer colocar culpa da segurança pública no governo federal, sendo que a maior atribuição é dos estados, afinal todo mundo sabe que presidente da República não nomeia nem demite secretário de segurança. Como ele foi governador de Minas 8 anos e a segurança piorou, nenhum mineiro acredita que ele melhoraria o problema sendo presidente. Moradores de outros estados que seguiram este raciocínio também não votarão no tucano.

Perdeu votos de indecisos que tem memória

Ao se ver toda hora ligado a FHC, ao implorar para o eleitor esquecer o passado que o condena, Aécio perdeu votos de indecisos.

Perdeu votos de aposentados

Dilma lembrou ao distinto público que Aécio foi líder do PSDB que votou pela criação do fator previdenciário. Ali ele perdeu votos entre os aposentados.

Perdeu votos de quem está com raiva de políticos

Dilma disse que Aécio, quando deputado, foi líder do governo FHC. Aécio quis corrigi-la dizendo que foi líder do PSDB e não do governo (como se isso fizesse grande diferença). E ainda tentou ironizar dizendo que Dilma não conhecia as atividades legislativas. A corroela de políticos na platéia o aplaudiu, mas ele perdeu votos entre o povo que está com raiva deste tipo de político oligarca que Aécio é.

Perdeu votos de opinião sobre reforma política

Aécio mostrou desconhecer a proposta de reforma política da OAB e da CNBB que propõe eleições parlamentares em dois turnos. Para quem é senador tem que ser muito indolente para não conhecer essa proposta.

Perdeu votos ao falar de drogas e segurança pública.

Aécio perdeu votos ao jogar a culpa das drogas só nas fronteiras. Nem os EUA, nem a Europa consegue fechar suas fronteiras às drogas e o tráfico existe nas cidades. A redução criminalidade relacionada à drogas passa pela integração das polícias em operações nacionais, mas é um problema bem mais amplo, que vai desde a educação até o tratamento. Experiências como o prgrama de "Braços Abertos" do prefeito Fernando Haddad na antiga cracolândia trouxe excelentes resultados sem repressão policial.

A própria motivação de jovens com oportunidades de mais estudo, trabalho, de cultura, de esportes ajuda muito a evitar jovens caírem no tráfico.

Dilma não quis polemizar, mas se quisesse poderia comparar o sucesso dos números das operações Sentinela e Ágata de controle das fronteiras, feitas pelas Polícias Federal e Rodoviária e pelas Forças Armadas. Se não me engano a quantidade drogas apreendidas equivale a uns 700 helicópteros dos Perrella.
Nas considerações finais, Aécio jogou a toalha

Desastrosa as considerações finais de Aécio. Eis algumas frases, com meus comentários:

Eu chego ao final desta campanha de pé... (ué, deveria chegar diferente?)
(...)
Eu sou hoje já um vitorioso. Porque como disse São Paulo eu travei o bom conflit... (aí Aécio se corrigiu) combate, falei a verdade e jamais perdi a minha fé.

O tom desta última frase foi de quem está justificando a derrota.

Em tempo: os vídeos do debate estão no G1.
Os Amigos do Presidente Lula
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NASSIF: DESESPERO DE VEJA EXPÕE SUA DERROTA EDITORIAL



'O amigo liga em pânico: “A imprensa vai acabar com a democracia no Brasil”. Respondo: “É a democracia que vai acabar com a imprensa e implantar o jornalismo'; com a frase, o colunista Luís Nassif enumera as apostas erradas feitas pela Abril para justificar tanto desespero nessa aposta furada da Veja é a crise que enfrenta; ele lembra que, enquanto o mercado acenava para o advento da Internet e da TV a cabo e para o fim das revistas e do papel, as apostas da editora foram sempre na direção errada; “É nesse quadro dramático, que o presidente do grupo, Fábio Barbosa, tenta a última tacada, apostando todas as fichas em Aécio Neves”

25 DE OUTUBRO DE 2014

 ‘O amigo liga em pânico: “A imprensa vai acabar com a democracia no Brasil”. Respondo: “É a democracia que vai acabar com a imprensa e implantar o jornalismo’.

A frase do colunista Luís Nassif sinaliza para a penúria em que se encontra a Editora Abril. Segundo ele, ‘por trás da tentativa desesperada nessa aposta furada da Veja’ existe seu fracasso editorial.

Ele lembra em post no Jornal GGN que, enquanto o mercado acenava para o advento da Internet e da TV a cabo e para o fim das revistas e do papel, as apostas da editora foram sempre na direção errada.

Lembra que, desde o ano passado, decidiram sair definitivamente da área editorial. “Mas a legislação não permite à Naspers ampliar sua participação na editora. E, se não teve nenhum corte de verba oficial para suas publicações, por outro lado a Abril jamais encontrou espaço no governo Dilma para acertos e grandes negócios, como uma mudança na legislação sobre capital estrangeiro na mídia”.

Com a morte de Roberto Civita, ressalta, começou a enfrentar dificuldades crescentes para renovar os financiamentos: “É nesse quadro dramático, que o presidente do grupo, Fábio Barbosa, tenta a última tacada, apostando todas as fichas em Aécio Neves”(leia mais).


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É DILMA, NÃO TEM MAIS JEITO…



25 de outubro de 2014 | Autor: Fernando Brito

Liga-me uma amiga, moradora de Botafogo, Zona Sul (não a mais chique, claro) do Rio:

– Brito, quando acabou o debate, nos prédios em volta do meu e no meu, as pessoas foram pra  janela gritar Dilma, Dilma!

E eu aqui, meio sonolento, com um debate armado de forma amarrada, chata, travada, comecei a pensar: é, foi um  a zero ou zero a zero, mas foi a decisão.

Ela não podia ter ganho mais do que continuar ganhando, sem perder nada ali.

E o fato é este, Dilma ganhou porque não perdeu nada.

A começar porque Aécio entregou  a Dilma a primeira bola da partida, citando a revista Veja.

Dilma deitou e rolou.

E foi assim no primeiro bloco.

Um outro amigo teve dados de um tracking feito sobre o debate, onde não houve mudança
Para o eleitor não-engajado em campanha era um “político” contra uma mulher que é “não-política”.

Adivinha o que o eleitor prefere?

Não houve bala de prata, nem bala de chumbo, nem bala de borracha.

Aquilo que disse mais cedo, que importava menos o debate do que o clima que o sucederia foi respondido pelas janelas de Botafogo.

A campanha de Dilma, para cima.

A de Aécio, para baixo.

A vitória dela será semelhante à de 2010.

Se a eleição fosse segunda-feira, seria maior.

PS. Talvez tenha havido um “gol” que eu não sei mensurar daqui do Rio, na menção da Sabesp. As gravações com o encobrimento da crise viraram assunto em São Paulo e podem corroer mais ainda a situação de Aécio, apesar da cara de pau de Alckmin de que se tem de apurar de quem foi a “ordem superior” para o “abafa”…Tem gente que não tem espelho em casa…


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Como funciona o “tráfico de notícias” da imprensa mineira censurada por Aécio Neves



25/10/2014 | por : Kiko Nogueira
  

A repórter LVC trabalha numa grande publicação mineira. Ela contou ao DCM como funciona o “tráfico” de reportagens apuradas em Minas Gerais e que são repassadas para órgãos de imprensa do Rio e de São Paulo


Em resumo: nas gestões de Aécio Neves e de seu sucessor Anastasia, ficaram vetadas matérias “negativas” sobre o governo. A pressão sobre a mídia, exercida principalmente por Andrea Neves — irmã de Aécio e responsável pela comunicação –, foi bem retratada em dois documentários: “Liberdade, Essa Palavra” e “Gagged in Brazil” (“Amordaçados no Brasil”). Ironicamente, a versão original dos dois filmes foi retirada do YouTube.

Diante da censura e do receio de demissão, a saída dos profissionais é “sugerir” para colegas de outros estados as denúncias. Na maioria das vezes, elas são publicadas. Na maioria. “A gente fica feliz por tabela”, diz LVC.

O depoimento:

O tráfico de matérias daqui de Minas para outros jornais foi a forma que encontramos para driblar a censura, que tomou uma dimensão inacreditável nos últimos anos.

A gente já sabia de muitas dessas histórias, hoje conhecidas, há muito tempo. O aeroporto de Cláudio, o nepotismo, os problemas na educação…

Somos proibidos de ouvir o chamado ‘outro lado’ nas reportagens envolvendo inimigos do governo. Em casos como o aeroporto, o Estado de Minas [o maior jornal local] e o Hoje em Dia nunca deram uma linha. Quando saiu alguma coisa, foi apenas a justificativa da assessoria de Aécio Neves. Só o jornal O Tempo fez a cobertura.

A história do Agnello Queiroz, por exemplo, foi entregue por um amigo meu à imprensa de São Paulo e Rio [um assessor do governador de Brasília Agnelo Queiroz, quando ele era ministro do Esporte, recebia propina de uma empresa que presta serviço ao GDF. O dinheiro abasteceria um caixa 2 da campanha]. Não podia sair nada porque Agnello é amigo de Aécio.

Também foi um colega daqui que passou adiante os documentos comprovando que assessores do gabinete de Aécio, quando senador, recebiam dinheiro em cargos de estatais mineiras. A Heloísa Neves, assessora de imprensa do Aécio, é uma dessas pessoas.

[Diz o Estadão: “Três servidores comissionados recebem, além do salário do Senado, remunerações por integrar conselhos de empresas do Estado, governado pelo tucano de 2003 a 2010 e agora sob o comando do aliado Antônio Anastasia (PSDB). Assim, turbinam os rendimentos em até 46%. Ninguém é obrigado a bater ponto no Senado e, nas estatais, são exigidos a ir a no máximo uma reunião por mês. (...)

Também assessora de Aécio, com salário de R$ 16.337, a jornalista Maria Heloísa Cardoso Neves recebe jetons de R$ 5 mil por mês da Companhia de Desenvolvimento Econômico de MG (Codemig) para participar, obrigatoriamente, de três reuniões anuais do Conselho de Administração. E, por vezes, de encontros extraordinários”.]

O mensalão do Arruda não foi noticiado por causa de suas relações com Aécio. Nós conversamos bastante com os correspondentes dos jornalões. A direção dos jornais daqui já suspeita de que isso acontece, mas não há nada que eles possam fazer.

Há orientações sobre fotos. As de Dilma têm de ser fechadas nela e, de preferência, ela não pode aparecer sorrindo. Depois que votou em Porto Alegre no primeiro turno, ela foi para a casa do ex-marido, o Carlos Araújo. O neto apareceu lá. Foi proibida a publicação da fotografia dela com o menino.

Com a candidatura do Aécio, o Estado de Minas passou a dar duas manchetes de política. São sempre favoráveis a ele. Toda a imprensa mineira funciona assim.

A carteira de policial que Aécio obteve quando
o avô Tancredo governava Minas

No Estado de Minas, houve uma rebelião e os jornalistas deixaram de assinar matérias em que os editores mudavam demais o texto. Fica como “Da Redação”. No Hoje Em Dia, personagens que os repórteres não ouviram estão sendo incluídos nos artigos.

Essa censura vale até para assuntos corriqueiros, coisas com que qualquer governante tem de lidar. Nem as greves de professores são repercutidas.

As fontes relacionadas ao governo de Itamar Franco foram banidas. Existe um índex, uma lista negra, de pessoas que não podem sair de jeito nenhum. Algumas delas são o Fabrício de Oliveira, economista que critica o “choque de gestão”;  o Rogério Correia, deputado estadual pelo PT; o Padre João, deputado federal pelo PT; e o Sávio Souza Cruz, deputado estadual pelo PMDB.

Ocorrem armações. Uma vez, a oposição estava reclamando que Aécio estava passando tempo demais no Rio de Janeiro. O Estado de Minas fez uma foto dele, de manhã cedo, no Palácio da Liberdade, para dar a impressão de que o governador trabalhava muito.

Não há condições de continuar assim por muito tempo. O Aécio não aceita a mínima crítica. Tudo é controlado.

Existe por parte dos donos dos meios de comunicação um realismo maior do que o rei. Eles esperam que, com a vitória do candidato, a recompensa venha na forma de mais verbas publicitárias.

Quando o Aécio foi pego no bafômetro no Rio, saiu nota de pé de página só porque o clamor foi enorme.

No caso do aeroporto de Cláudio, nós sabíamos da obra há anos. A novidade, para nós, foi que a chave ficava com o tio-avô de Aécio, o Múcio. Isso porque nunca pudemos investigar nada in loco. Nem pensar em ir até lá.

O emprego de parentes é algo antigo por aqui. Mas a única informação recente sobre nepotismo na política que saiu em Minas foi sobre o irmão da Dilma, o Ygor Rousseff. Aí rendeu manchete. [Durante um debate, Aécio declarou que o irmão da presidente foi funcionário “fantasma” e recebia salário da prefeitura de Belo Horizonte “para não fazer nada”].

Um conhecido passou para a imprensa paulista a história da carteira da polícia que o Aécio conseguiu. A matéria acabou não sendo publicada [em 1983, aos 23 anos, Aécio obteve a carteira. Seu avô, Tancredo, era o governador].

O primo dele, o Quedo, é famoso. Quando ele foi preso, saiu uma notícia. Daí em diante, a ordem era para que todo o desdobramento do episódio fosse para apresentar a defesa [em 2011, o comerciante Tancredo Tolentino foi acusado de pedir 150 mil reais de propina para libertar traficantes de drogas. Ele teria dado o dinheiro ao desembargador Hélcio Valentim de Andrade Filho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e alvo de ação penal no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Fantástico não mencionou o nome de Aécio].

A apreensão do helicóptero dos Perrella com cocaína seguiu a mesma lógica. Saiu a notícia. Em seguida, só matérias deles se defendendo. No caso do mensalão mineiro e do Eduardo Azeredo, é vetado usarmos a palavra “mensalão” [Aécio tem insistido que são mensalões “diferentes”: “Acho que com serenidade e muita transparência Azeredo terá tempo de apresentar seus argumentos e demonstrar que não há paralelo entre uma questão e outra", afirmou].

Nós somos obrigados a fazer esse jornalismo de guerrilha. É muito frustrante ter uma grande matéria nas mãos e ela ser censurada. Quando sai em outro lugar, ficamos felizes por tabela.


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Dilma passou pelo teste do debate da Globo e é favoritíssima para ser reeleita


25/10/2014 | Renato Rovai

O debate da Globo tem características diferentes dos de outras TVs e portais. Ele conta com a presença dos chamados indecisos. Esses eleitores fazem perguntas mais programáticas, mas ao mesmo tempo quebram um pouco o ritmo do enfrentamento entre os candidatos. Até por isso, o debate da Globo foi menos eletrizante que os anteriores. E isso favoreceu a presidenta Dilma.

O primeiro bloco foi o mais quente. Como já era esperado, Aécio Neves foi pra cima de Dilma usando a capa da Veja logo de cara. Dilma se saiu de forma tranquila, mas muito firme. Disse que vai processar a revista e deixou meio claro que se tratava de uma tentativa de golpe eleitoral.

Nos outros blocos, o ritmo de ataques diminuiu. E  o debate ficou mais tranquilo e programático. De qualquer forma, ainda houve tempo para Aécio trazer à baila o mensalão e perguntar a Dilma o que ela achava do fato de Zé Dirceu estar preso.

E deu tempo também de Dilma perguntar se houve falta de planejamento no caso da falta de água de São Paulo, já que no Nordeste também não chove , mas não falta água. E aí veio a melhor tirada da noite. Dilma citou o humorista José Simão e disse que do jeito que a coisa estava indo os tucanos iam lançar o plano Meu Banho, Minha Vida.

Não houve grandes vencedores no debate desta noite. Mas eu diria que Dilma pode até ter ganhado por pontos.E que como já estava em vantagem, esse resultado foi excelente para ela.

Hoje, em várias cidades brasileiras a militância petista foi às ruas de vermelho e criou um clima de vitória. Quando essa onda se forma é muito difícil revertê-la. Se Aécio começou com pequena vantagem no segundo turno, Dilma passa pelo debate da Globo como a grande favorita.

É claro que numa eleição dessas é de alto risco fazer previsões, mas este blogueiro cravaria todas suas parcas economias na vitória de Dilma no domingo.

Dilma deve ser reeleita presidenta da República, ganhando de toda a mídia, do PSDB, de Marina, da família Campos, de parte do PMDB e de toda a direita truculenta.

Não é pouca coisa.

Dilma deve ganhar de todos eles e com o apoio do PSoL e de quase todos os movimentos sociais brasileiros sérios.

Também não é pouca coisa.


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CONTRA O CRIME DE GOLPE BAIXO DA VEJA, PT VAI AO TSE, MPE E STF


Presidente do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, reage à tentativa escancarada da Editora Abril de interferir no processo eleitoral com uma denúncia de Veja que a própria revista admite não conter provas; legenda pede no TSE direito de resposta no site da revista, no MPE, apuração de suposto abuso da publicação para prejudicar o pleito e, no STF, entrou com representação por difamação contra o PT; outra ação pede ainda providências à Procuradoria-Geral da República sobre o vazamento do depoimento do doleiro Alberto Youssef; atentado à democracia fere a dignidade do jornalismo brasileiro

24 DE OUTUBRO DE 2014

O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que o partido entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Ministério Público Eleitoral (MPE) e no Supremo Tribunal Federal contra a revista Veja, depois da edição em que a publicação acusa a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula de terem conhecimento do esquema de corrupção investigado na Petrobras.

"A capa da Veja mais parece uma peça eleitoral, uma matéria com um delegado fantasma e que depois é desmentida pelo próprio advogado (de Youssef). Nós não podemos tolerar que continue a ter tanta tentativa de interferência no processo eleitoral através de matérias caluniosas, mentirosas e totalmente sem fundamentos e sem fontes. Nós pedimos ao TSE direito de resposta, por se tratar de matéria inverídica, além de difamatória e caluniosa", disse Rui Falcão.

O dirigente petista disse, no entanto, que a representação não pede que a revista seja tirada de circulação. No TSE, o partido pediu direito de resposta no site da Veja e ainda que a revista seja impedida de veicular propaganda na TV, no rádio ou em outdoors, pois isso configuraria propaganda eleitoral negativa, na véspera do segundo da eleição.

O pedido no MPE é para apurar suposto abuso do veículo de comunicação com o objetivo de prejudicar a candidatura da presidente Dilma Rousseff e desequilibrar a disputa eleitoral. A legenda também abriu representação no STF por difamação contra o PT e ainda pediu à Procuradoria-Geral da República providências quanto ao vazamento do depoimento do doleiro Alberto Youssef, que teria feito as denúncias.


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JEAN WYLLYS | O ANTIJORNALISMO DA REVISTA VEJA

25/10/2014

Se o esquema de corrupção de Cachoeira que abastecia as matérias "investigativas" de Veja não tivesse sido desmascarado, até hoje Demóstenes Torres estaria na capa de Veja como o paladino da moral

Diante das pesquisas que apontam uma iminente vitória de Dilma no domingo, a Veja (a revista que transformou o corrupto e então senador Demóstenes Torres em paladino da ética pública e cujo "repórter investigador" obtinha as "informações" para suas matérias por meio de grampos ilegais feitos por Carlinhos Cachoeira, o comandante do mega-esquema de corrupção envolvendo o PSDB em Goiás e do qual Demóstenes Torres era parte), essa revista que faz um anti-jornalismo, já preparou uma capa tendenciosa e com o objetivo claro de derrubar Dilma e favorecer Aécio Neves. A capa diz respeito ao batido caso Petrobras e às declarações do "delator premiado". Nenhuma surpresa até aqui (e também é óbvio que os telejornais da Globo darão amplo destaque ao "furo" de Veja).

Mas duas questões me ocorrem:

1. Esse esforço de Veja em envolver Dilma e Lula no caso Petrobras a partir de "declarações de um delator" terá algum efeito depois de o mesmo "delator" ter envolvido também o presidente do PSDB no esquema, afirmando que este recebeu propina para enterrar a própria CPI da Petrobras?

2. Alguém ainda acredita em Veja e seu anti-jornalismo de declarações além de seus seus colunistas e leitores antipetistas que temem a "onda vermelha comunista" como zumbis vindos da época da Guerra Fria?


[Se o esquema de corrupção de Cachoeira e seus grampos ilegais que abasteciam as matérias "investigativas" de Veja não tivessem sido desmascarados, até hoje Demóstenes Torres - corrupto hipócrita e demagogo - estaria na capa da revista Veja como o paladino da moral e da ética públicas, como esteve até ser desmascarado]
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O POVO É MUITO MAIS SABIDO DO QUE ELES


24 de outubro de 2014 | Autor: Fernando Brito

O que a Veja, que quase só vai ser lida na semana que vem, já meio embeiçada, nos consultórios dentários e médicos, pretendeu com esta sua criminosa jogada da capa desta edição, na antevéspera dar eleições?

Será que foi convencer seus leitores?

Se foi, era desnecessária, pois qualquer pesquisa entre os leitores de Veja daria 95% de votos para Aécio.

Os 5% restantes só estavam folheando para aguentar ador naquele pré-molar sem-vergonha…

Usem a cabeça, meus caros e caríssimas.

Ela quer apenas uma coisa: parar a onda.

Nos levar a discutir o que a Veja diz e deixar de lado o que o povo brasileiro vem entendendo.

Hoje não é dia de Veja.

Hoje é dia de Dilma.

Veja, como diria o capitão Rodrigo Cambará, é para dar “de prancha”, porque o talho é para outra coisa.

A Veja é para ser tratada pelos advogados e, semana que vem, pela Justiça e pela polícia.
O que eles querem é que, no duelo de hoje, na Globo, Dilma pisque.

Ainda estão em 1989, quando Lula piscou com a nota fiscal do “aparelho de som 3 em 1″ com que Collor quis provar que ele vivia nababescamente…

Querem que passemos o dia falando de Veja, sabendo que sua finalidade apenas é preparar um momento para Aécio perguntar na Globo: “a senhora sabia ou não sabia?”.

A esta a hora, tem ao lado da Presidenta uma caixinha cheia de “foras” para o menino, bastando escolher o mais demolidor.

E seguir em frente.

O povo brasileiro já fez a capa de sua edição de domingo.


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GOLPE DE VEJA FORÇARÁ DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA


Tentativa canhestra e mal ensaiada de interferir no processo democrático, com uma edição antecipada para tentar solapar a soberania popular, exige que a presidente Dilma Rousseff discuta a sério a democratização dos meios de comunicação em seu provável segundo mandato, argumenta Paulo Moreira Leite, diretor do 247, em Brasília; "o golpe da semana só fará aumentar o número de cidadãos e de instituições convencidos de que a sobrevivência da democracia brasileira depende, entre outras coisas, que se cumpra a legislação que regula o funcionamento econômico da mídia", diz ele; atitude criminosa de Veja, a 48 horas de uma eleição, merece resposta institucional

24 DE OUTUBRO DE 2014

A tentativa criminosa da revista Veja de solapar a democracia brasileira, a 48 horas do segundo turno da disputa presidencial, merece uma resposta institucional: a democratização dos meios de comunicação no Brasil.

Quem argumenta é Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília e ex-diretor de Veja – de um tempo em que isso não envergonhava jornalistas.

No artigo "Uma farsa óbvia e mal ensaida", ele expõe suas razões:

"O mais novo vazamento de trechos dos múltiplos depoimentos do doleiro Alberto Yousseff  expressa uma  tradição vergonhosa pela finalidade política, antidemocrática pela substância.  Não, meus amigos. Não se quer informar a população a partir de dados confiáveis. Também não se quer contribuir com um único grama para se avançar no esclarecimento de qualquer fato comprometedor na Petrobrás. Sequer o advogado de Yousseff reconhece os termos do depoimento. Tampouco atesta sua veracidade sobre a afirmação de que Lula e Dilma sabiam das “tenebrosas transações” que ocorriam na empresa, o que está dito na capa da revista.

Para você ter uma ideia do nível da barbaridade, basta saber que, logo no início,  admite-se que só muito mais tarde, através de uma investigação completa,que ninguém sabe quando irá ocorrer, nem quando irá terminar,  “se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são culpadas.”

Não é só. Também se admite que Yousseff “não apresentou provas do que disse.”

Precisa mais? Tem mais.

Não se ouviu o outro lado com a atenção devida, nem se considerou os argumentos contrários com o cuidado indispensável numa investigação isenta.

O que se quer é corromper a eleição, através de um escândalo sob encomenda, uma farsa óbvia e mal ensaiada. Insinua o que não pode dizer, fala o que não pode demonstrar, afirma o que não conferiu nem pode comprovar."

Detalhe importante: o "depoimento" do doleiro já foi desmentido por seu próprio advogado (leia mais aqui). Diante do crime eleitoral cometido pela revista Veja, que representa um atentado à própria democracia, o que fazer? O único caminho é discutir, a sério, a regulamentação dos meios de comunicação. Eis mais um trecho do texto de Paulo Moreira Leite:

"Com esse comportamento, a mídia brasileira prepara o caminho de sua destruição na forma que existe hoje.  Como se não bastasse os números vergonhosos do Manchetômetro, que demonstram uma postura parcial e tendenciosa, o golpe da semana só fará aumentar o número de cidadãos e de instituições convencidos de que a sobrevivência da democracia brasileira depende, entre outras coisas, que se cumpra a legislação que regula o funcionamento econômico da mídia. Está claro que este será um debate urgente a partir de 2015."


Leia a íntegra em seu blog no 247
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MARCO MAIA | SOBRE FATOS E FONTES

24 DE OUTUBRO DE 2014

Acusação sem prova é crime. Está na Constituição. E publicar uma acusação sem provas, ou melhor, fundamentada em fontes ocultas, obscuras, suspeitas, também não seria crime? 

Acusação sem prova é crime. Está na Constituição. E publicar uma acusação sem provas, ou melhor, fundamentada em fontes ocultas, obscuras, suspeitas, também não seria crime? E se essa acusação (sem provas) viesse a acontecer às vésperas de um processo eleitoral, visando interferir no resultado, não se configuraria em um outro crime?

Assim como muitos brasileiros, estou surpreso e indignado com a capa e a chamada produzida pela Veja desta semana. Na condição de relator da CPMI da Petrobras, estive reunido pessoalmente com os ministros Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal (STF) e Rodrigo Janot do Ministério Público Federal (MPF) em duas oportunidades, sendo que ambos asseguraram ser absolutamente sigiloso o processo de delação premiada a que estão submetidos os senhores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Se assim é, como poderia um jornalista ter acesso a informações que estão sob investigação? E mais, como pode um jornalista publicar acusações que ainda dependem de investigação por parte da Polícia Federal? Qual a credibilidade de acusações que partem de cidadãos que estão presos?


Estamos, sem dúvida, diante de um fato muito sério, que compromete a seriedade do jornalismo brasileiro. Infelizmente, talvez estejamos assistindo um grave crime jornalístico, um crime contra a opinião pública, um crime contra a democracia. Certamente, nossas instituições adotarão, em breve, as medidas cabiveis a fim de restabelecer a credibilidade e o respeito que merecem.
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VEJA SERIA CÔMICA, SE NÃO FOSSE CRIMINOSA


23 de outubro de 2014 | Autor: Fernando Brito

A revista Veja seria ridícula, como a comparação das capas acima – a que vai para as bancas amanhã e a que envia, pelo Fecebook, meu velho professor da Escola de Comunicação Evandro Ouriques.

Seria, se não fosse criminosa.

Numa edição cuidadosamente proeparada ela narra, como se o seu repórter estivesse lá, a cena.

Alberto Youssef, que está preso desde março – há mais de seis meses, portanto – chega, anteontem, a quatro dias da eleição, para o seu milésimo interrogatório na Polícia Federal – que parece, aliás, uma instituição dirigida pela Editora Abril –  e, sem mais nem porque, faz-se-lhe uma pergunta extremamente precisa: qual era o “nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras”.

E o doleiro, “um bandido profissional” como o define o juiz Sérgio Moro – diz, sem mais circunstâncias: “O Planalto sabia de tudo”.

Quem no Planalto? – pergunta o delegado e  ele:

Lula e Dilma!

Que primor!

Que pérola de jornalismo, que espetáculo de responsabilidade!

Nem o advogado do doleiro, íntimo dos tucanos, confirma a história e diz que ninguém de sua equipe ouviu Youssef dizer isso.

O curioso é que Fábio Barbosa, presidente da empresa que edita a Veja esteve sentado na cadeira de Conselheiro de Administração da Petrobrás durante quase todo o tempo (2003 e 2011) em que Paulo Roberto Costa foi diretor e apresentou-lhe contas, e não sabia de nada.

Um pilantra de quinta categoria, várias vezes condenado – e agora, ao que parece, destinado a ser absolvido de tudo, inclusive da lavagem de dinheiro de drogas, como foi, esta semana – diz, está dito.

E o nosso ministro Dias Tóffoli, pobre alma simplória, vai promovendo reuniões para os candidatos não se atacarem na campanha…

E se, por acaso, o TSE condena a Veja a dar direito de resposta a quem a acusa, acorre, pressuroso, o Ministro Gilmar Mendes para derrubar a decisão e dizer: não, não, viva a liberdade de imprensa…

Vivemos num país onde a mídia pratica, impune, banditismo, não jornalismo.

E isso, infelizmente, ao contrário da brincadeira com a capa da Veja, não é piada.


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