O único milagre de João de Deus, um charlatão milionário, foi enganar tanta gente por tanto tempo


João de Deus entre Ronaldo Fenômeno e a modelo Celina Locks

Publicado por Diário do Centro do Mundo -  16 de dezembro de 2018 
Esta reportagem do Hypeness foi publicada originalmente em 2014. Ganha atualidade com a fuga do curandeiro picareta João de Deus, acusado do abuso sexual de mais de 200 mulheres

Em 25 de outubro desse ano, um programa de televisão australiano chamado “60 Minutos” (em tradução livre) contou a história da cética investigação que a jornalista Liz Hayes fez sobre o enigmático João Teixeira de Faria, mais conhecido como “João de Deus”, em 1998.

O brasileiro ficou internacionalmente conhecido depois de ser promovido por ninguém menos que a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey, uma das mais famosas do mundo, como um médium que canalizava os espíritos de médicos mortos e os usava para realizar curas milagrosas em pessoas das mais diversas nacionalidades que o visitavam em sua “Casa”, em Abadiânia, Goiás.

Aqui está um resumo do que foi revelado nesta investigação, embora o título desse artigo já dê uma boa dica do que você vai encontrar aqui pela frente.

Parte 1 do caso João de Deus

Na parte 1 da reportagem, o repórter Michael Usher revelou que uma mulher declarada como curada de um câncer de mama por uma entidade espiritual canalizada por João de Deus morreu em 2003. Uma outra mulher em uma cadeira de rodas com esclerose múltipla que, na pesquisa de Hayes realizada em 1998, visitou João com a expectativa de andar novamente, disse não ter sentido qualquer efeito do “tratamento” e obviamente ainda está em uma cadeira de rodas.

Na verdade, sua condição até piorou. Mas se você é desses que diz “não custava nada tentar”, bem, você está enganado. Essa brincadeira de sair lá da Austrália para vir até o “consultório” de João de Deus saiu por 5 mil dólares australianos. Algo que ultrapassa tranquilamente os 10 mil reais. A matéria de Usher também conta que nenhum dos outros australianos (que vieram em um grupo de 40 pessoas) sentiram qualquer melhora após a consulta.

O relatório do jornalista Usher também mencionou que alguns dos milhares de pacientes de João também esperavam receber uma tal de “cirurgia espiritual” com ele, 3 vezes na semana. Essas práticas, tais como a inserção de tesouras (ou pinças) de profundidade em um nariz, e raspar um olho sem anestesia, foram registradas em histórias anteriores sobre João. Parece cruel, não? João também foi mostrado diversas vezes fazendo várias incisões na pele de seus “pacientes” sem demonstrar o menor respeito por procedimentos anestésicos ou de esterilização de materiais.

Para o médico David Rosengren, “o mundo da medicina moderna não pode tolerar esse comportamento de forma alguma”. Fácil de concordar com ele, não? Até porque um procedimento como esse pode custar bem mais caro – se a gente partir do pressuposto que uma vida vale bem mais de 5 mil dólares.

No decorrer da matéria, Usher esclarece a questão dos valores cobrados

A consulta com o João de Deus era gratuita, mas muitas vezes ele prescrevia visitas a uns leitos de cristal [que contavam com luzes coloridas brilhando sobre eles], que custavam US$ 25 por sessão. Isso gerava uma receita de aproximadamente 1.8 milhão de dólares por ano. Nada mal. Havia também a “água abençoada”, que custava cerca de um dólar por garrafa.

O consultório também contava com uma loja de presentes e uma farmácia, que vendia pílulas abençoadas de ervas (apenas disponíveis sob prescrição João de Deus, aparentemente). Uma caixa saía por US$ 25, o que garantia uma receita de US$ 40.000 POR DIA. Isso significava mais de US$ 14 milhões por ano (R$ 36,15 mi no câmbio atual).

Usher ressalta que foi comprovado que as pílulas não eram nada além de maracujá.

De acordo com o Natural Medicines Comprehensive Database (banco de dados de medicina natural, em tradução livre), o maracujá é “possivelmente seguro quando usado por via oral e de forma adequada para fins medicinais de curto prazo”, e também é “possivelmente perigoso quando utilizado em quantidades excessivas” e não deve absolutamente ser usado durante a gravidez, já que “constituintes de maracujazeiro mostram evidências de estimulação uterina”, o que poderia provocar um aborto.

Esse mesmo banco de dados sugere que o composto em questão é possivelmente eficaz para transtornos de humor, ansiedade e abstinência de opiáceos, mas “pode causar tonturas, confusão, sedação e ataxia” e há alguns relatos de efeitos colaterais mais graves, incluindo vasculite e consciência alterada. Ou seja: requer um certo cuidado ao ser prescrito.

Parte 2 do caso João de Deus

Na Parte 2 da matéria, Usher afirmou que houve duas mortes nos últimos anos na “Casa” que justificam as investigações, mas ninguém sequer foi acusado.

Ele também informou que, em 2010, quando João visitou Sedona, no Arizona (Estados Unidos), o departamento de polícia o investigou porque uma mulher disse que ele pegou as mãos dela e as colocou em seus órgãos genitais; João também teria tentado colocar a mão embaixo da saia dela. O caso nunca foi ao tribunal; um de seus associados incentivou a mulher a desfazer as acusações. Sabe-se lá que incentivos foram esses.

O que João tem a dizer em sua própria defesa?
O jornalista australiano tentou entrevistar João, mas ele acabou ficando muito irritado depois que Usher perguntou se João se interessava mais pelo dinheiro do que pelos milagres e se ele já havia agredido sexualmente algum de seus pacientes. A matéria mostra que João foi embora, respondeu sarcasticamente para o intérprete e depois voltou para a entrevista insistindo para ver o que havia sido gravado. Suspeito.

Mas isso não foi tudo.

Em 10 de fevereiro de 2005, foi ao ar no horário nobre da televisão norte-americana uma entrevista muito mais cordial de João de Deus, conduzida pelo repórter John Quiñones, que também entrevistou o milagreiro Oz e o médico James Randi. Nessa ocasião, Oz falou de uma “técnica” que envolvia colocar uma pinça no nariz das pessoas para ver se isso teria alguma influência sob medicamentos tomados.

Essa especulação obviamente não faz sentido anatômico, mas os telespectadores não tiveram acesso a essa informação esclarecida pelo Dr. Randi, porque o horário nobre escolheu colocar no ar apenas os 19 segundos em que o médico protestou contra João de Deus, declarando-o um charlatão.

Embora Quiñones seja um jornalista premiado, o saldo dessa entrevista acabou sendo um desserviço aos seus telespectadores, por não explorar os dois lados da história.

Conclusão
Ao relatar João Teixeira de Faria, Oprah e Quiñones selecionaram informações para incentivar o pensamento positivo de que Deus e os espíritos usam um homem sem instrução como um canal para a cura sobrenatural.

Em contraste, tanto o levantamento realizado em 1998 quanto o de 2014 por parte do australiano foram baseados em um ceticismo saudável e permitiu os espectadores compreendessem os méritos de pontos de vista contrastantes. Em seu relatório, Michael Usher reconheceu o valor da esperança, mas também observou que ela pode ser uma fraqueza, transformando as pessoas em presas fáceis e vulneráveis para o pior tipo de seres humanos.

João de Deus é um homem que afirma fazer milagres e curar os doentes. Ele se chama João de Deus, mas não há nada de divino nele. Milhares de pessoas o procuram na esperança de uma cura para a sua dor, mas acabam sendo esfolados na hora de pagar a conta. Ele se vende como a suposta cura de Deus, mas não o faz de bom grado. Muito pelo contrário. Ele é um homem de negócios parcimonioso que ganha dezenas de milhões de dólares com a fé e o desespero alheio. Posso estar enganada, mas não vejo nada de nobre nisso. [Randi, RD]


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Golpe de Temer tirou pobres dos aviões e fez demanda aérea recuar dez anos

Editora 247

A esquerda sempre alegou que um dos motivos do golpe jurídico-parlamentar contra a presidente deposta Dilma Rousseff foi o incômodo de setores das classes médias com o excesso de pobres em aviões. Sendo verdadeira ou falsa esta tese, o fato é que a a demanda aérea no Brasil só cresceu até 2014, último ano em que Dilma conseguiu governar. Depois disso, veio o 'quanto pior, melhor' da conspiração tramada pelo PSDB e MDB para colocar Michel Temer no poder e o setor despencou – com isso, o volume de passageiros transportados recuou uma década, levando à quebra de empresas como a Avianca

16 DE DEZEMBRO DE 2018

"O volume de passageiros atendidos por todas as empresas brasileiras de aviação comercial desabou desde 2014 para níveis do início desta década. Os dados de 2018 apontam para uma reação discreta", informa reportagem de Guilherme Garcia, Fabio Takahashi e Joana Cunha, publicada na Folha de S. Paulo deste domingo. "A dificuldade do mercado ficou explícita no caso da Avianca – com a recuperação judicial anunciada na semana passada", dizem ainda os repórteres, alegando que isso levou Michel Temer a liberar a participação estrangeira de 100% nas companhias brasileiras na tentativa de atrair recursos.

A realidade, no entanto, parece ser mais complexa. Desde o golpe de 2016, a esquerda tem alegado que um dos motivos da conspiração contra a presidente deposta Dilma Rousseff foi o incômodo de setores das classes médias com o excesso de pobres em aviões. Sendo verdadeira ou falsa esta tese, o fato é que a a demanda aérea no Brasil só cresceu até 2014, último ano em que Dilma conseguiu governar. Depois disso, veio o 'quanto pior, melhor' da conspiração tramada pelo PSDB e MDB para colocar Michel Temer no poder e o setor despencou – com isso, o volume de passageiros transportados recuou uma década, levando à quebra de empresas como a Avianca.

"Nos primeiros oito meses deste ano, ainda houve queda no número de passageiros em relação ao mesmo período de 2017. O ritmo da retração, porém, diminuiu para 2% —antes, fora de 6%— de 2016 para 2017. Com metodologia diferente, a Abear (associação das grandes empresas aéreas) aponta que o mercado doméstico atual recuou para o nível de 2013, início de sua série histórica", informa a reportagem.


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São Gonçalo do Amarante tem o segundo maior PIB per capta do Ceará segundo IBGE



Famoso pelos grandes condomínios de luxo, o município de Eusébio tem hoje o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Estado. Quatro municípios do Ceará têm PIB per capita maior que o de Fortaleza


16/12/2018

Famoso pelos grandes condomínios de luxo, o município de Eusébio tem hoje o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Ceará, com índice de R$ 59 mil por pessoa ao ano. Além de Eusébio, outros três municípios aparecem na frente de Fortaleza no ranking: São Gonçalo do Amarante (R$ 49,2 mil), Maracanaú (R$ 36,2 mil) e Aquiraz (R$ 27,3 mil).

A Capital, por outro lado, aparece na quinta posição, com índice de R$ 23 mil por pessoa ao ano. A informação integra balanço do PIB dos municípios brasileiros, divulgado nesta sexta-feira, 14, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os menores PIBs per capita do Estado estão Pires Ferreira (R$ 4,5 mil), Catarina (R$ 5,1 mil), Alcântaras (R$ 5,2 mil), Caridade (R$ 5,2 mil), Choró (R$ 5,4 mil) e Itatira (R$ 5,4 mil).


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Transposição do São Francisco: obras do Eixo Norte serão entregues até o dia 28

Foto: Antonio Rodrigues


Para a realização desta etapa, foram liberados mais R$ 43 milhões, os quais darão continuidade ao Cinturão das Águas do Ceará (CAC), que conduzirá o recurso hídrico para a Região Metropolitana de Fortaleza até março de 2019

Por Antonio Rodrigues | 16 de Dezembro de 2018

O ministro da Integração Nacional, Pádua Andrade, garantiu que as obras do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (Pisf), que trará água do "Velho Chico" até o Ceará, serão entregues entre os dias 26 e 28 deste mês. Por isso, no último dia 6, foram liberados mais R$ 43 milhões para a continuidade das obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), que conduzirá o recurso hídrico até a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Mesmo com a inauguração batendo na porta, o "eixo emergencial" da obra estadual deverá estar pronto.

Apesar da inauguração neste mês de dezembro, a expectativa é que a água chegue ao solo cearense no fim de fevereiro ou em meados de março de 2019, pois os reservatórios de Negreiros, em Salgueiro (PE), e de Jati no município homônimo, deverão ficar cheios em três meses. De lá, a vazão será captada pelos CAC e transportada pelos Lotes 01, 02 e 05 da obra, no chamado "eixo emergencial", que percorre 53 km, até seguir pelo Riacho Seco, em Missão Velha. Deste, seguirá pelo Rio Salgado, fluindo até o Açude Castanhão que, pelo Eixão das Águas, abastece a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

O diretor de Águas Superficiais da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), Antônio Madeiro Lucena, explica que a vazão disponibilizada será de 12m³/s, o suficiente para suprir a demanda da RMF, caso seja ininterrupta. Até o dia 6 de dezembro, o "eixo emergencial" do CAC apresentava 96% de avanço físico. "Acredito que dará (para receber as águas do Pisf) tranquilo. A água vai chegar de fevereiro a março. No final de dezembro, praticamente terminam", explica.

"Nosso emergencial está pronto. Os túneis estão todos prontos. A parte do Lote 2 estava com 90%, mas é muito pouca coisa", diz. Segundo Lucena, as chuvas neste período de pré-estação chuvosa não vão atrapalhar o cronograma, mas a equipe do Diário do Nordeste, que visitou as obras no dia 6 de dezembro, constatou que muitos serviços foram interrompidos em Missão Velha. "Mas não tem mais serviço de terraplanagem", afirma.


Com 149,85 km de extensão, o primeiro trecho do CAC está dividido em cinco lotes, e encontra-se com 60,03% de execução. Contudo, ainda estão em atividade os lotes 01, 02, 03 e 05, em razão da disponibilidade de verba pela União e na celeridade de entrega do "eixo emergencial". Ao todo, 1.427 pessoas trabalham na obra estadual.

Etapas

O Lote 01 está com 95% de avanço físico, tendo 33,41 km de canais e 5,24 km de sifões, com previsão pra ser concluído em abril de 2019. Já o Lote 02, que concentra maior parte de trabalhadores (811) e equipamentos (311), encontra-se com 81% das obras realizadas, que devem ser finalizadas em junho do ano que vem. O Lote 03 está com 22,9% de avanço físico e foi, recentemente, reiniciado. Já o lote 04, atinge 4,26%, mas está paralisado e sem previsão de retorno. Por fim, o Lote 05, que é constituído de nove túneis e canais, já atinge percentual executivo de 97% e deve ser concluído também em abril de 2019.

No "eixo emergencial" há equipes trabalhando em todos os setores. Inclusive, um dos funcionários admitiu que o recesso para as comemorações das festas de fim de ano será encurtado para que o CAC esteja pronto para receber as águas do "Velho Chico" quanto antes. Dentre os setores mais complexos, o Túnel Veneza, maior da obra, já foi concluído. A alguns metros do seu desemboque fica o dissipador de descarga do "eixo emergencial", que também está finalizado e recebe alguns acabamentos.

No Lote 02, que concentra a maior parte do trabalho, quase todo o aterro e os sifões foram concluídos. Restam poucas atividades de escavação obrigatória, revestimento do canal e estrutura de concreto. Por outro lado, pouco mais da metade das obras de drenagem foi finalizada.


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José de Abreu: José Serra sumiu assim como seus processos



O ator José de Abreu questionou neste sábado, 15, o desaparecimento do senador José Serra (PSDB-SP); investigado em vários processos, entre eles um sobre supostas fraudes na construção do Rodoanel Sul, Serra tem ficado recluso; "E o Serra, heim? Roubou a vida inteira, deixou a filha bilhardária, perdeu várias eleições e sumiu… Assim como seus processos. Sumiram", diz Abreu pelo Twitter

15 DE DEZEMBRO DE 2018

O ator José de Abreu questionou neste sábado, 15, o desaparecimento do senador José Serra (PSDB-SP). Investigado em vários processos, entre eles um sobre supostas fraudes na construção do Rodoanel Sul, Serra tem ficado recluso.

"E o Serra, heim? Roubou a vida inteira, deixou a filha bilhardária, perdeu várias eleições e sumiu… Assim como seus processos. Sumiram", diz Abreu pelo Twitter.



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Bolsogate: filha de ex-assessor de Flávio Bolsonaro repassou até 99% do salário ao pai

Editora 247

Nathalia Melo de Queiroz, filha do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, o motorista Fabrício de Queiroz, depositou na conta do pai o equivalente a quase 99% do que recebeu como funcionária do gabinete na Alerj no período que está sob investigação; a informação é de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que reforça as suspeitas de que Queiroz era o arrecadador da família Bolsonaro

15 DE DEZEMBRO DE 2018

Enquanto o ex-assessor Fabrício de Queiroz não aparece para dar explicações sobre as sua vultuosas movimentações financeiras, o rastro do escândalo do Bolsogate vai ficando cada vez mais intenso. Segundo matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, neste sábado (15), o ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) na Assembleia Legislativa do Rio, mostra indícios de que pelo menos uma funcionária pode ter depositado em sua conta o equivalente a quase tudo que recebeu na Casa no período investigado pelo COAF.

As suspeitas de que Queiroz era o arrecadador da família Bolsonaro, sendo o responsável por recolher os valores oriundos de salários recebidos pelos funcionários, ganha força. Segundo a reportagem, Nathalia Melo de Queiroz, filha do ex-servidor, repassou a ele R$ 97.641,20, que equivale a 99% do pagamento líquido de um assessor da Alerj, sendo crédito mensal médio de R$ 7.510,86.

A reportagem destaca que para chegar a esse valor usou o relatório do Coaf apontando na Operação Furna da Onça, que revelou que no período investigado Nathalia transferiu os R$ 97.641,20 para a conta de seu pai, que também era assessor de Flávio.

Funcionária da Alerj de setembro de 2007 a dezembro de 2016, Nathalia foi trabalhar como assessora no gabinete do então deputado e hoje presidente eleito, Jair Bolsonaro, sendo exonerada em 15 de outubro, mesmo dia em que seu pai foi desligado do gabinete de Flávio, após a revelação do esquema do Bolsogate.

Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo mostrou ainda que Nathalia, enquanto era funcionária do gabinete parlamentar, trabalhava como personal trainer no Rio, exercendo a atividade durante o horário que deveria estar no gabinete.

Confira a íntegra da matéria publicada pelo O Estado de S. Paulo

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RIBAMAR FONSECA | Crônica de um desastre anunciado


Editora 247

Jornalista e escritor

15 de Dezembro de 2018

Ninguém precisa ser profeta para prever o desastre que se desenha no país, à sombra das nuvens negras que pairam no horizonte, a partir do governo que se inicia no próximo dia primeiro de janeiro. Não é difícil chegar-se a essa conclusão diante do conteúdo dos discursos do novo presidente e das declarações dos seus ministros, todos anunciando medidas desastrosas para o país e seu povo. Eles parecem afinados na tarefa de destruir as grandes conquistas sociais e, principalmente, no entreguismo, com privatizações e alinhamento aos Estados Unidos. E tem em comum o ódio ao petismo, que fez sair do armário antipetistas ferozes camuflados, principalmente, no Ministério Público e no Judiciário. Depois do governo Temer, que tirou o Brasil do mapa mundial como grande Nação respeitada pelo resto do planeta e presente nas grandes decisões, o governo Bolsonaro deve complementar a destruição da nossa soberania entregando-nos, de joelhos, ao tresloucado Donald Trump, o Deus dele e do seu chanceler.

Mesmo diante desse quadro doloroso, desenhado a partir do posicionamento do Presidente eleito e seus auxiliares antes da posse, ninguém sabe precisar exatamente o que poderá acontecer nos próximos quatro anos, considerando também a presença de tantos militares num governo eleito democraticamente. Os militares, na verdade, voltam agora ao poder legitimados pelo voto popular, o que, no entanto, não significa necessariamente que as regras democráticas serão integralmente respeitadas. Ninguém acredita, porém, que chegaremos a ter atos de força, como o AI-5 da ditadura, não apenas porque não há clima no mundo atual para semelhantes iniciativas mas, também, porque, como bem lembrou o jornalista Ricardo Kotscho, nem precisa, com a Justiça que temos. O instituto do habeas corpus, por exemplo, suspenso pelo AI-5, hoje praticamente inexiste, sobretudo quando pode beneficiar Lula. De onde se conclui que se depender da Justiça o ex-presidente, embora inocente – e os ministros do Supremo sabem muito bem disso – vai apodrecer na prisão, como, aliás, deseja o novo Presidente. 

O capitão, eleito Presidente por obra do mesmo esquema que elegeu Donald Trump – o uso massivo da Internet para induzir a parte da população que não pensa – antes mesmo de assumir já provocou enormes estragos nas relações do Brasil com o mundo. Seguindo os passos do seu ídolo Trump, ele repetiu tudo o que o presidente norte-americano disse, particularmente em relação à Venezuela e Cuba, aos acordos mundiais e à transferência da embaixada em Israel. Ele está comprando as mesmas brigas com a comunidade internacional, sem medir as consequências para o Brasil. Para dar cumprimento às suas declarações escolheu o chanceler certo, o diplomata Ernesto Araujo, que pensa exatamente igual. E os 210 milhões de brasileiros, inclusive os que não votaram nele, sofrerão os efeitos das ações tresloucadas de apenas dois homens. Os seus eleitores nem poderão se declarar arrependidos, porque – justiça seja feita – Bolsonaro nunca enganou ninguém sobre os seus propósitos na Presidência da República. Eles votaram conscientes do que poderia acontecer durante o seu governo. 

Há uma velha regra que diz: "Semelhante atrai semelhante". Isso explica, por exemplo, a escolha de Damares, Salles, Lorenzoni e Moro, entre outros, para integrar o novo governo. A messiânica futura ministra dos Direitos Humanos teve o privilégio de ver Jesus passeando debaixo de uma goiabeira, privilégio até hoje só alcançado, depois da sua crucificação, por Maria Madalena, os apóstolos e Paulo de Tarso, à entrada de Damasco. Desde aquela época só Damares conseguiu essa graça. Se ela colocar em prática as lições do Evangelho, que deve conhecer muito bem como pastora, então teremos um Ministério dos Direitos Humanos perfeito. Quanto a Salles, corremos o risco de ver a Amazônia desmatada e vendida. E o Lorenzoni, o homem do caixa dois confesso, na chefia da Casa Civil? Com Moro que, como chefe supremo da Justiça, já o perdoou ele não precisa se preocupar, mas vai precisar de muito jogo de cintura para não ser espremido pelo núcleo militar, especialmente pelo vice-presidente, que já deixou bem claro não concordar com muito do que pensa junto com o seu chefe, em especial quanto à política externa. Mourão poderá exigir uma investigação sobre o caixa dois do Ônix, que Moro ignorou. 

O ex-juiz Sergio Moro, considerado o paladino do combate à corrupção, não viu nada errado no comportamento do seu colega de ministério e, também, nas atividades do ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro, acusado de movimentar mais de R$ 1 milhão de origem suspeita. O futuro ministro da Justiça parece mais preocupado em manter Lula na prisão. E tudo indica que vai assustar mais ainda o Supremo para que negue o habeas corpus ao lider petista. Se antes a Suprema Corte já tinha pavor dele como juiz de primeira instância, ninguém se espante se os onze ministros se borrarem quando ele bater o pé como titular da pasta da Justiça, pressionando a Corte para negar, mais uma vez, o habeas corpus. Isso significa que não será tão cedo que o ex-presidente conseguirá a liberdade, via Justiça, porque se já estava difícil antes da posse de Bolsonaro, será muito mais difícil depois que ele assumir o poder. Afinal, é preciso ser muito macho, ter aquilo "roxo" como diria o Collor, para enfrentar a ameaça de ser fechado apenas com um cabo e um soldado.



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Mourão atacou mais uma vez o comportamento dúbio de Bolsonaro


Fotos: Reuters

O general Hamilton Mourão vai se tornando cada vez mais a voz crítica e divergente no governo de transição de Bolsonaro; o vice-presidente eleito atacou mais uma vez o comportamento dúbio de seu cabeça de chapa, ao dizer que ele deveria ter falado antes sobre a movimentação bancária do motorista Fabrício Queiroz; o general entende que a omissão de Bolsonaro eleva a pressão sobre o novo governo

14 DE DEZEMBRO DE 2018 

O general Hamilton Mourão vai se tornando cada vez mais uma voz crítica e divergente no governo de transição de Bolsonaro. O vice-presidente eleito atacou mais uma vez o comportamento dúbio de seu cabeça de chapa, ao dizer que ele deveria ter falado antes sobre a movimentação bancária do motorista Fabrício Queiroz. O general entende que a omissão de Bolsonaro eleva a pressão sobre o novo governo.

O jornalista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, destaca a fala literal de Mourão: "ele demorou a falar. Podia ter falado antes. Esperou aumentar a pressão."

Segundo Mello Franco, "o vice cobra explicações de Queiroz, que era lotado no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro e está sumido há uma semana. Ele defendeu a investigação do caso e a punição dos envolvidos."

Mourão disse: "o Exército tem uma sigla para isso: apurundaso. Apurar e punir se for o caso. É isso que deve ser feito."

Mello Franco lembra a crítica anterior de Mourão ao governo do qual faz parte, ainda mais ácida: "ontem, à revista 'Crusoé', Mourão disse que a eventual prática de caixinha no gabinete de Flávio Bolsonaro seria 'burrice ao cubo'. Ele ressalvou que ainda 'não há elementos para emitir um juízo de valor sobre o caso'."


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Globo reforça guerra contra família Bolsonaro envolvida em fraudes bancárias

Editora 247

O Grupo Globo decidiu partir para cima da família Bolsonaro e estampou logo cedo a manchete que denuncia fraudes em depósitos na conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro; a operação de cerco aos Bolsonaro começou na terça-feira, conforme apontou matéria do 247, em que todos os veículos do Grupo de Mídia destacaram o escândalo rastreado pelo Coaf; os depósitos mensais, repetidos e de valores idênticos, feitos em dinheiro vivo, somaram R$ 55 mil, de acordo com a reportagem do jornal O Globo

14 DE DEZEMBRO DE 2018

O Grupo Globo decidiu partir para cima da família Bolsonaro e estampou logo cedo a manchete que denuncia fraudes em depósitos na conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. A operação de cerco aos Bolsonaro começou na terça-feira, conforme apontou matéria do 247, em que todos os veículos do Grupo de Mídia destacaram o escândalo rastreado pelo Coaf. Os depósitos mensais, repetidos e de valores idênticos, feitos em dinheiro vivo, somaram R$ 55 mil, de acordo com a reportagem do jornal O Globo.

Segundo a reportagem, "a conta bancária de Fabrício Queiroz , ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), recebeu depósitos mensais de valores idênticos ou semelhantes feitos sempre nas mesmas agências bancárias e em dinheiro vivo, mostra um cruzamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) feito pelo GLOBO. Somadas, as operações repetidas chegam a R$ 55,5 mil entre janeiro e dezembro de 2016." 

A matéria acrescenta que "o relatório do Coaf apontou movimentações suspeitas feitas por servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) . Por si só, não configuram um ilícito. Porém, a documentação foi anexada pela força-tarefa da Lava-Jato do Rio na ação da Operação Furna da Onça, que prendeu sete deputados estaduais em novembro."

O Coaf tipifica a movimentação financeira dos assessores listados como "atípica". O órgão afirma que "foi identificada a realização de operações fracionadas em espécie". Dentre as operações, estão 59 repasses em dinheiro vivo a Queiroz, que totalizam R$ 216 mil.

Ainda segundo o Coaf, o valor que mais se repete é bastante específico: em 7 meses a conta recebeu depósitos de R$ 1.771 realizados na agência 0532 do Banco Itaú, na Rua Jardim Botânico. Os depósitos  foram feitos sempre no mesmo dia ou dias depois do pagamento de servidores da Alerj.


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Oportunidades de empregos em São Gonçalo do Amarante 14/12/2018


OCUPAÇÕES
QTDE.VAGAS
Ajudante de eletricista
02
Almoxarife
02
Cozinheiro de restaurante
01
Eletricista de manutenção industrial
01
Fonoaudiólogo geral
01
Lanterneiro de automóveis (reparação)
01
Mecânico de manutenção de máquinas, em geral
02
Motofretista
01
Operador de máquinas de construção civil e mineração
01
Supervisor de hospedagem
01
Sushiman
01
Técnico em espirometria
01
Total
15

PESSOA COM DEFICIÊNCIA
OCUPAÇÕES
QTDE.VAGAS
Administrador (serviço de hospedagem)
01
Auxiliar de limpeza
01
Auxiliar de linha de produção
10
Total
12


Os interessados devem procurar a unidade do SINE/IDT

Em São Gonçalo do Amarante
Av. Coronel Neco Martins, 236 – Centro
Fone :(85) 3315.7369

Em Pecém
Rua Francisco Câncio, S/N – Centro
Fone :(85) 3315.1375

As informações sobre as vagas não são dadas por telefone. Todas as informações estão sujeitas à alteração. 


Fonte: Sine/IDT

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LEONARDO YAROCHEWSKY | AI-5: necessário lembrar para que não se repita

Editora 247


Advogado criminalista

12 de Dezembro de 2018 

Durante a reunião em que foi decidida a decretação do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, o AI-5 – conhecido como o golpe dentro do golpe – dando início a um dos piores momentos da ditadura militar (1964-1985), o único a questionar e de certa forma insurgir contra as autoritárias, arbitrárias e inescrupulosas medidas foi Pedro Aleixo, vice-presidente civil do general Costa e Silva. O ministro da Justiça, Gama e Silva, relator do ato, questionou se Pedro Aleixo desconfiava da integridade do presidente em fazer uso "criterioso" do instrumento discricionário - AI-5. Prontamente o vice-presidente Pedro Aleixo respondeu: "Não tenho nenhum receio em relação ao presidente, eu tenho medo do guarda da esquina".

É certo que o dia 13 de dezembro de 1968 entrou para a história do País como um dos mais sombrios. O AI-5 autorizava o governo a decretar o recesso do Congresso Nacional, a cassação de parlamentares, a intervenção dos estados e municípios, a suspensão por dez anos dos direitos políticos de qualquer cidadão, o confisco dos bens considerados ilícitos e a suspensão do habeas corpus, entre outras medidas ditatoriais. 

Com o Ato Institucional nº 5, segundo Elio Gaspari inicia-se os "Anos de Chumbo" que vai, segundo o autor, desde 1969, logo depois da edição do AI-5 em 13 de dezembro de 1968, ao extermínio da guerrilha do Partido Comunista do Brasil, nas matas do Araguaia em 1974. De acordo com Elio Gaspari "Escancarada, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento extremo de coerção e o extermínio, o último recurso da repressão política que o Ato Institucional nº 5 libertou das amarras da legalidade. A ditadura envergonhada foi substituída por um regime a um só tempo anárquico nos quartéis e violento nas prisões. Foram os Anos de Chumbo". Mais adiante, prossegue o jornalista e escritor, afirmando que: "Os oficiais-generais que ordenaram, estimularam e defenderam a tortura levaram as Forças Armadas brasileiras ao maior desastre de sua história. A tortura tornou-se matéria de ensino e prática rotineira dentro da máquina militar de repressão política da ditadura (...)" Dois conceitos prevaleciam: i) concepção absolutista de segurança da sociedade – "A segurança pública é a lei suprema" – "Contra a Pátria não há direitos", informava uma placa no saguão dos elevadores da polícia paulista; ii) funcionalidade do suplício – "havendo terrorista, os militares entram em cena, o pau canta, os presos falam e o terrorismo acaba". 

Ancorados pelo AI-5, prisões arbitrárias e praticas da tortura passaram a fazer parte do cotidiano do governo militar e de exceção. Assim que foi baixado o abjeto Ato onze deputados, entre eles Hermano Alves e Márcio Moreira Alves, perderam seus mandatos.

Por meio de um decreto de 16 de janeiro de 1969, três ministros do Supremo Tribunal Federal foram aposentados compulsoriamente após decisão do Conselho Nacional de Segurança: Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Victor Nunes Leal. Os ministros Antônio Carlos Lafayette de Andrada e Antônio Gonçalves de Oliveira renunciaram em protesto contra as cassações e acabaram oficialmente aposentados por decreto no mês seguinte.

A cultura também sofreu duro golpe com o AI-5. Artistas, escritores e músicos rotulados como "comunistas" ou "subversivos" foram presos e outros foram para o exílio. 

Não é despiciendo lembrar que no preâmbulo do AI-5 vinha uma explicação tão absurda quanto bizarra para explicar as arbitrariedades e o autoritarismo decorrente do golpe de 1964:

"CONSIDERANDO que a Revolução Brasileira de 31 de março de 1964 teve, conforme decorre dos Atos com os quais se institucionalizou, fundamentos e propósitos que visavam a dar ao País um regime que, atendendo às exigências de um sistema jurídico e político, assegurasse autêntica ordem democrática, baseada na liberdade, no respeito à dignidade da pessoa humana, no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo, na luta contra a corrupção, buscando, deste modo, "os. meios indispensáveis à obra de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar, de modo direito e imediato, os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do prestígio internacional da nossa pátria" (Preâmbulo do Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964); 

Desgraçadamente, há aqueles que insistem em atropelar a história e negam o golpe de 1964, bem como as atrocidades perpetradas em nome do regime ditatorial e de exceção. O AI-5, como já dito, deu início a um dos períodos mais terríveis da história do Brasil, os chamados "Anos de Chumbo", em que a tortura – que ainda hoje é defendida por muitos – se transformou em política de Estado.

Destaca-se que o golpe de 1964, como tantos outros, apresentou como pretexto o combate à corrupção, as "ideologias" subversivas e a preservação dos valores morais e da família.

Por tudo, notadamente, em nome do Estado democrático de direito e do respeito a dignidade da pessoa humana como seu postulado, quando, ainda, os direitos humanos são colocados em xeque, é necessário que estejamos sempre vigilantes para que a história não se repita.

Belo Horizonte, 13 de dezembro de 2018 (50 anos do AI-5).


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