A NAUSEABUNDA REVISTA VEJA



Fui assinante da Veja por mais de 20 anos, desde a época em que ainda trabalhava na Teleceará. Portanto, conheço muito bem a história e a linha editorial dessa revista — uma publicação que o saudoso jornalista Lustosa da Costa costumava chamar, com toda a sua irreverência, de “nauseabunda”.

Durante décadas, a Veja foi acusada de ter uma linha editorial extremamente alinhada aos interesses políticos de determinados grupos, especialmente durante a era FHC, quando fazia uma defesa quase apaixonada dos tucanos. Naquela época, chegou-se a dizer, ironicamente, que a revista era “editada na cozinha do Palácio do Alvorada”.

Hoje, olhando para essa nova edição que resolveu atacar a segurança pública do Ceará, não consigo deixar de questionar: a serviço de quem está essa matéria?

É uma pergunta legítima. Principalmente quando observamos a coincidência entre o conteúdo publicado pela revista e determinados discursos políticos que vêm sendo repetidos por aqui.

Não estou afirmando que seja matéria paga. Estou dizendo que, diante do histórico da publicação e do momento político, é perfeitamente razoável levantar essa suspeita e exigir transparência sobre os interesses por trás dessa reportagem.

A Veja de hoje está muito distante da revista que um dia teve enorme influência no Brasil. Perdeu circulação, perdeu espaço, perdeu relevância e, para muita gente, perdeu principalmente credibilidade.

E há algo ainda mais curioso: enquanto a revista faz sua ofensiva contra o Ceará, o candidato Ciro Gomes aparece completamente alinhado ao discurso apresentado pela publicação. Foi Veja para cá, Veja para lá, durante praticamente todo o programa.

Coincidência? Pode ser.

Mas quem acompanha política sabe que, muitas vezes, as coincidências políticas são interessantes demais para serem simplesmente ignoradas.

O Ceará merece uma discussão séria sobre segurança pública. Merece críticas, quando necessárias, mas também merece respeito. O que não podemos aceitar é que uma revista com um histórico político tão controverso venha posar de árbitra imparcial da realidade cearense.

A pergunta que fica é simples: quem está por trás dessa narrativa?

Porque, quando a política entra pela porta da frente, às vezes a velha imprensa aparece pela cozinha.

E essa cozinha, pelo jeito, pode estar bem longe de São Paulo — talvez até em alguma mansão sobre as dunas do Ceará.

O povo cearense não é bobo.

Por Robério Soares

Comentários